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Maria Otávia: mesmo sem ouvir, atriz desenvolveu a fala e a leitura labial

 

Filme também teve cenas gravadas na cidade

Uma jovem atriz nativa é a protagonista do curta-metragem “A Espera”, do diretor Ricardo Zanon. Até aí tudo bem se não fosse por um detalhe: Maria Otávia Cordazzo, de 26 anos, é surda.  A história é ambientada nos anos 40 e foi gravada nas cidades de Camboriú e Balneário Piçarras. O enredo conta o cotidiano de uma jovem senhora que aguarda incansavelmente a vinda do esposo, que está fora da cidade há anos.

 

- O curta possui uma temática que pende para o romance e ao mesmo tempo remete ao suspense - revela o roteirista e diretor Ricardo Zanon. Remete ainda à mitologia grega, (a incansável espera de Penélope por Ulisses).


Com baixo orçamento, a produção é uma prova de que “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” ainda podem render grandes produções. “O curta foi basicamente realizado através de parcerias com pessoas que são ligadas à arte. Não existiu um grande investimento para a finalização”, revela Zanon.


A produção conta ainda com as participações dos atores Lipe Castro, Renata Rocha (Salve Jorge e Dupla Identidade/Rede Globo) e Ieda Maria. A música tema “Travesseiro de Estrelas” é interpretada pela cantora itajaiense Bárbara Damásio.

 

Talento a toda prova


Maria Otávia nasceu prematura e por conta da forte medicação perdeu a audição. Mesmo com essa limitação, ela, que nasceu em Piçarras, desenvolveu a fala, o que é incomum para os portadores desta condição. O auxílio de um aparelho de ouvido, no entanto, trouxe som e novos rumos a sua vida. Com ele, teve as mesmas oportunidades que qualquer pessoa.


- Quando retiro o aparelho não escuto absolutamente nada, pois tive perda severa da audição. Essa vontade de ser atriz foi algo que sempre me perseguiu. Mas, eu acreditava que isto era algo muito distante, por conta de minha surdez”, afirma.


Contudo, a vontade de ser atriz sempre foi maior que qualquer dificuldade.


- Pesquisei muito e notei que seria possível correr atrás dos meus sonhos, que a deficiência auditiva não deveria ser um empecilho na minha vida. Tenho muito que aprender, mas sei que estou no caminho certo – comemora.


Com sua obstinação e persistência, Maria Otávia concluiu o Curso de Interpretação de TV e Cinema na JP Talentos. Em 2014, concluiu dois cursos de interpretação de TV com o renomado diretor Wolf Maia, e o Take a Take, ambos em São Paulo. Para o aperfeiçoamento na arte da interpretação, frequentou oficinas com renomados diretores como Tereza Lampreia, Sergio Penna e Pedro Vasconcelos. Em 2015, iniciou estudos na Casa das Artes Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro.


Dentre as peças de teatro realizadas estão “As Descobertas”, de Jean Pierre Kuhl e Cleber Lach; “Eu ainda estou aqui”, de Johnny Fox; “Natal de Sofia” e “A paixão de Cristo”, de Bub Razz. A atriz também é dançarina e fez parte do Balé da Academia Dançar e Cia e Jazz no Estúdio Adriana Alcântara, em Itajaí (SC). Recentemente, participou do longa-metragem “O livro de contos – A magia nunca acaba”, do diretor e roteirista Bub Razz, além de protagonizar o curta-metragem “A Espera”, de Ricardo Zanon, com estreia prevista ainda para este ano de 2016.

 

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