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Conclusões da Operação Sutura foram entregues ao ministério Público dia 23

PENHA -  A Polícia Civil concluiu nesta terça-feira, dia 23, o primeiro de dois inquéritos que apuram fraude em licitações para desvio de recursos públicos da Saúde por meio da organização social “Instituto Adonhiran”. Ao todo 19 pessoas foram indiciadas  por formação de organização criminosa, fraude em licitação, peculato e lavagem de dinheiro. Mas os nomes de todos ainda não foi confirmados pela Divisão de Crimes Contra o Patrimônio Público (DCCPP), que conduziu a investigação.

A operação “Sutura” foi deflagrada em 12 de julho de 2018, quando a Justiça decretou a prisão temporária de 16 suspeitos, incluindo o ex-prefeito Evandro dos Navegantes, o ex-secretário de Saúde Cleiby Darossi e o proprietário do Hospital Nossa Senhora de Penha, e presidente do  “Instituto Adonhiran”, Nilson Santiago Moya.

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Segundo a Polícia Civil, novos imóveis usados para lavar o dinheiro desviado foram descobertos através das buscas e apreensões na casa dos investigados. Somados aos demais bens sequestrados durante a operação, esses recursos estão estimados em mais de R$1,5 milhão, que devem servir de garantia ao ressarcimento dos cofres públicos.

Os investigadores apontam que entre 2011 e 2016 o município de Penha pagou ao “Instituto Adhoniram” cerca de R$ 3.772.847,50, dos quais R$ 1,493 milhão foram desviados pela organização criminosa.

“Apurou-se que havia uma organização criminosa enraizada no município de Penha composta por três núcleos (familiar, político e empresarial) distintos estruturalmente hierarquizados e caracterizados pela divisão de tarefas” - afirma nota da Polícia Civil.

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Evandro, Cleiby, Rafael e Nilson estão entre os indiciados (Fotos: Arquivo| CVP | PMP)

Segundo a investigação, a quadrilha usava notas e documentos frios emitidos por empresas ligadas aos núcleos familiar/empresarial para desviar recursos da Secretaria da Saúde destinados ao Instituto Adonhiran. A prestação de contas com documentos fraudados era analisada pelo então controlador do município, Rafael Celestino, que segundo os investigadores, compunha o núcleo político da quadrilha. 

“Apurou-se ainda que a organização criminosa era chefiada pelo ex-prefeito municipal [Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB)]. Como chefe do Executivo poderia trocar qualquer dos integrantes da organização criminosa, numa eventual recusa de um dos controladores em dar um parecer favorável, de o secretário de Saúde colocar eventual empecilho no convênio ou até mesmo cancelar o contrato com a empresa (instituto) em caso de recusa de pagamento de propina”, acusa a Polícia Civil.

Mais esclarecimentos

A Operação Sutura se desdobrou em dois inquéritos. O mesmo esquema de desvios por meio de subvenções também é investigado no município de Itapema, onde se estima um prejuízo ainda maior aos cofres públicos. Segundo a DCCPP, ainda há diligências pendentes para que o caso seja concluído.

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Operação foi deflagrada em julho de 2018 com prisão temporária de membros do grupo denunciado (Foto: Divulgação | PC)

Além da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio Público (DCCPP/DEIC), atuam na Operação Sutura Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/Deic), com apoio das DRPs de Balneário Camboriu, Blumenau e Joinville, Polícia Civil do Mato Grosso, Ministério Público (MPSC) e do Ministério Público de Contas (MPC).

O Expresso das Praias está em contato com as defesas dos réus e com Ministério Público, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

 
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