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Tebaldi (PSDB) e João Rodrigues (PSD) votaram pelo arquivamento da denúncia; Amin (PP) e Décio Lima (PT) se posicionaram pela abertura da investigação (Fotos: Agência Câmara)

Saiba como se posicionaram os integrantes da bancada catarinense mais votados em Penha, Piçarras e Barra Velha em relação ao relatório que pedia o arquivamento da denúncia por corrupção passiva

Da Região - Os deputados escolhidos pela maioria dos eleitores de Penha, Balneário Piçarras e Barra Velha votaram dia 02 pelo arquivamento da denúncia do Ministério Público Federal contra Michel Temer (PMDB). É o que revela o levantamento realizado pelo Expresso das Praias junto à Justiça Eleitoral.

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Votos recebidos na eleição de 2014 em Penha (PEN), Piçarras (PÇR) e Barra Velha (BV) pelos deputados que se posicionaram contra e a favor da investigação de Michel Temer pelo crime de corrupção passiva:
9 deputados contrários à investigação: 13.990  
 7 deputados favoráveis à investigação: 5.606
 
                
FONTE: Tribunal Superior Eleitoral - Eleição 2014

O deputado mais votado na região é Marco Tebladi (PSDB). O candidato do ex-prefeito de Penha Evandro dos Navegantes e do prefeito de Balneário Piçarras Leonel Martins, ambos do PSDB, recebeu 21,9% dos votos válidos em Penha, 15,77% em Piçarras e 5,46% em Barra Velha. Em nota publicada no Facebook o parlamentar que foi favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff (PT) se justificou:

- Ao votar contra a admissibilidade para que o presidente Michel temer seja investigado, estou votando a favor do Brasil, porque acredito que o afastamento do presidente neste momento aumentaria a atual crise institucional, o que agravaria a crise econômica e assim não teríamos o já triste número de 13 milhões de desempregados, passaríamos a 15, 17 milhões e isto seria terrível, afinal, não há tragédia maior do que um pai, uma mãe não ter alimento para pôr na mesa para seus filhos - afirmou Tebaldi.

O segundo deputado federal com mais votos na região também é da base governista e votou pela rejeição da denúncia contra Temer. Apoiado em 2014 pelo pelo vice-prefeito Flavio Tironi (PSD) e pelo ex-vereador Sergio Maia (PSD), João Rodrigues (PSD) representa 10,38% dos eleitores de Piçarras e 10,05% dos votos válidos em Barra Velha.

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- Não estamos em defesa de A, B ou C, mas temos que parar com essa “sangria”. Temos que votar. A tese de fazer Temer sangrar é machucar os brasileiros, maltratar os produtores, os trabalhadores. Temos é que assumir nossa posição - declarou Rodrigues no Facebook.

Deputado João Rodrigues (PSD): "temos que parar com essa “sangria” (Foto: Agência Câmara)

Voto vencido

Juntos, os deputados favoráveis à investigação somam menos da metade dos votos válidos em 2014. Entre os que votaram pelo afastamento de Temer, Esperidião Amin (PP), um dos que menos conseguiu verba para emendas em junho, e Jorginho Mello (PR), o que mais recebeu, não acataram a orientação de seus partidos, que se posicionaram pela não abertura do inquérito.

Também em nota nas redes sociais, Amin (PP) buscou contrapor os argumentos de quem defendeu o arquivamento das denúncias do Ministério Público Federal (MPF) em nome da estabilidade econômica:

- Preocupa-me que líderes políticos e empresariais prefiram “varrer para baixo do tapete” esse pedido de denúncia. A operação Lava Jato está desvendando um gigantesco conluio entre os poderes econômico e político. [...] A esta altura da vida nacional, optar por postergar investigação de fatos que chocam os mais “ousados”, terá consequências nefastas para a sociedade brasileira, beneficiando os malfeitos e os malfeitores. - afirmou o representante no Congresso de 10,66% dos eleitores de Barra Velha e de 9,62% de Piçarras.

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O principal nome da bancada da oposição também tem votação expressiva na região. O deputado federal Decio Lima (PT) obteve 8,08% dos votos válidos de Piçarras e lamentou o resultado da votação:

- Depois da maioria do parlamento brasileiro obstruir a justiça, não se viu MBL, VEM PRA RUA, panelas, onde estão todos os "indignados" contra a corrupção?

Deputado Amin (PP): "Preocupa-me que líderes políticos e empresariais prefiram varrer para baixo do tapete esse pedido de denúncia” (Foto: Agência Câmara)

A denúncia

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva. A acusação estava baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, também era uma das provas usadas no processo. 

O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também foi denunciado pelo procurador pelo mesmo crime. Loures foi preso no dia 3 de junho por determinação do ministro Edson Fachin. Em abril, Loures foi flagrado recebendo uma mala contendo R$ 500 mil, que teria sido enviada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS.

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Para o procurador, Temer usou Rocha Loures para receber vantagens indevidas. "Entre os meses de março a abril de 2017, com vontade livre e consciente, o Presidente da República Michel Miguel Temer Lulia, valendo-se de sua condição de chefe do Poder Executivo e liderança política nacional, recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Santos da Rocha Loures, vantagem indevida de R$ 500.000 ofertada por Joesley Batista, presidente da sociedade empresária J&F Investimentos S.A., cujo pagamento foi realizado pelo executivo da J&F Ricardo Saud", dizia a denúncia apresentada por Janot e arquivada pela Câmara dos Deputados.

De acordo com a Constituição, a denúncia apresentada contra Temer somente poderia ser analisada após a aceitação de 342 deputados, o equivalente a dois terços do número de deputados da Câmara. O painel do plenário registrou 263 votos pelo arquivamento da denúncia, 227 votos pela abertura do processo, além de 19 ausências e 2 abstenções.

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