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Presença de veneno no Rio Piçarras é apontada por estudos
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PIÇARRAS - A Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan) deverá ser convocada a prestar esclarecimentos na Câmara de Vereadores nas próximas sessões. O objetivo é saber quais são os efeitos dos agrotóxicos presentes nas análises que a companhia é por lei obrigada a realizar e enviar à Vigilância Sanitária. O cultivo de arroz nas proximidades do ponto de captação é uma das preocupações locais.

O requerimento de autoria da vereadora Dalva Cristiane Teixeira dos Santos (PP) foi aprovado na sessão de terça-feira, dia 23. Na justificativa, ela afirma que os dados coletados pela concessionária também devem ser conhecidos pela população e vereadores a fim de fiscalizar a concessão do serviço público.

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No começo deste mês, uma pesquisa do Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) revelou a presença na água de produto classificado entre os mais tóxicos utilizados na agricultura. Nas amostras coletadas, o veneno estava em concentração abaixo do limite estabelecido no Brasil e na União Europeia, mesmo assim, acendeu a luz de alerta.

“Fiz esse requerimento porque a população está bem preocupada e a gente gostaria da informação de alguém da Casan, que venha esclarecer se esse agrotóxico não está fazendo mal para a população”, afirmou Dalva.

Mais transparência

Em resposta ao estudo, a Casan destacou que realiza monitoramento semestral da água há 14 anos. São essas análises que devem ser alvo de questionamentos na Câmara. Por sugestão do vereador Ademar de Oliveira (PT), foi incluído no requerimento da vereadora Dalva pedido para que se apresentem os resultados das amostras recentes que são encaminhadas pela concessionária à Vigilância Sanitária.

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Lavoura de arroz está localizada junto ao ponto de captação da Casan (Reprodução | Google)

Esses dados encaminhados ao Ministério da Saúde foram alvo de investigação conjunta divulgada dia 14 pela Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. Segundo o levantamento, Santa Catarina é o terceiro estado com maior número de cidades onde se confirmou a presença contínua de agrotóxicos na água.

“Se for analisar todas as épocas do ano, em todas as cidades, vai encontrar em todas. Porque simplesmente a gente está usando muito agrotóxico e isso não desaparece, em algum momento vai ter agrotóxico na água, sim” - afirma a doutora em Engenharia Química Sônia Corina Hess ao MP/SC.

Um grupo de trabalho foi formado neste mês para discutir norma estadual para as análises da água.

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