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Pesquisa do MP/SC analisou 204 substâncias, concessionárias examinam 27

ESTADO - Um grupo trabalho com representantes de governos e sociedade civil vai se reunir nesta sexta-feira, dia 05, na sede no Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) para discutir a metodologia e transparência dos dados obtidos a partir da análise da água dos mananciais do estado. O objetivo é definir compromissos e metas para para desenvolver ações conjuntas a fim de reduzir os índices de agrotóxicos na água consumida pelos catarinenses.

A mobilização é resultado do estudo divulgado pelo MP/SC que revelou presença de veneno em 22 de 90 manaciais analisados pontualmente em 2018. Agora, o objetivo e definir uma política de análises frequentes e a divulgação ampla dos dados de forma compreensível à população.

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O encontro é aberto aos convidados e à imprensa. A pauta já está definida:

  • ampliação do monitoramento da água consumida em cada região hidrográfica e em diferentes períodos do ano;

  • uniformização da metodologia de análises realizadas pelos laboratórios;

  • edição de norma estadual mais ampla em termos de parâmetros mínimos relativos aos agrotóxicos e outros contaminantes;

  • divulgação periódica dos resultados das análises, à luz da constituição e das leis que regem o exercício dos serviços públicos, em teor e formato compreensíveis aos consumidores;

  • transparência dos dados e informações de fácil leitura nos relatórios da qualidade da água, posto que atualmente apenas especialistas conseguem entender os dados brutos das análises.

“Pretende-se extrair desse primeiro encontro uma metodologia de trabalho no que tange à apresentação de dados e informações de cada órgão responsável em sua área de atuação, bem como propor a elaboração de plano de trabalho para definir prioridades e estabelecer metas, com a finalidade de proteger a saúde da população e do meio ambiente” - afirma nota do MP/SC.

Pesquisa ampla

Segundo os promotores públicos, ao todo foram pesquisados 204 ingredientes ativos de agrotóxicos na amostragem de 2018 enquanto as operadoras do sistema de água pesquisam somente 27 substâncias - o mínimo exigido pelo Ministério da Saúde.

Dos 17 princípios ativos de agrotóxicos encontrados na água analisada a pedido do MPSC sete são proibidos na União Européia devido aos efeitos negativos que podem provocar na saúde humana - atrazina, simazina, bromopropilato, metalacloro, permetrina, propargite, propiconazol.

No rio Piçarras foi constatada, em baixa concentração, o herbicida 2,4-D. Mas cientistas advertem que não há níveis seguros para o consumo diário do veneno presente na água.

Veneno diário

Os agrotóxicos estão muito presentes no cotidiano. Em diversos tipos de alimentos, e até mesmo na água, há leis que regulamentam o uso de agrotóxicos no Brasil. Mas qual é o impacto na saúde? No painel "Agrotóxico e Saúde", do seminário sobre agrotóxico nos alimentos, na água e na saúde, promovido pelo Ministério Público de Santa Catarina,  o médico especialista em Laboratório de Função Pulmonar Pablo Moritz trouxe dados e informações relacionados aos danos causados pelos agrotóxicos na saúde humana. 

 
Ouça a entrevista:

A Doutora em Engenharia Química Sonia Corina Hess analisou os resultados obtidos nas amostras de água. Assista ao vídeo e saiba mais.

COM INFORMAÇÕES DO MP/SC
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