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TRABALHO
Mercado registra recuperação, mas saldo ainda é negativo

REGIÃO - Impulsionado pelo fechamento de mais de 100 mil postos de trabalho neste ano, o cadastro de microempreendedor individual (MEI) registra alta em todo o estado. Nos municípios de Penha e Balneário Piçarras, o aumento foi de 11% entre fevereiro e agosto.

O estado registrou no segundo trimestre deste ano a menor taxa de informalidade (25,8%) e de desempredo do país (6,9%), mas o saldo ainda é negativo. Os MEIs contribuem para esse panorama, que se reflete nos municípios Foz do Itajaí Açu.

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Segundo a Receita Federal, Penha tinha 2.459 cadastros deste tipo em fevereiro e atingiu 2.732 ao final de agosto, alta de 11,10%. Balneário Piçarras contava com 1.661 MEIs em fevereiro, passando para 1.849 em agosto, acréscimo de 11,31% no total de registros.

Os efeitos da crise sanitária que afetou a econômia global levaram muita gente que ficou desempregada a optar por abir negócios próprios ou atuar como autônomo e, para não ficar na informalidade, registrar-se como microempreendedor individual.

Enquanto praticamente todos os setores da economia sofreram queda, no estado, os MEIs passaram de 395.061, em fevereiro, para 446.344, ao final de agosto, um aumento de 12,98% no período.

O presidente interino da CDL de Penha, Jonni Lucas Janke, lembra que trabalhadores registrados como MEI, a exemplo de eletricistas, pedreiros, marceneiros, encanadores e entregadores, passaram a ser mais requisitados durante a pandemia.

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Taxa de desemprego em SC no segundo trimestre de 2020 é mais baixa do país (Fonte: PNAD | IBGE)

Não há números oficiais sobre o impacto na economia local, mas ele afirma que muitos comerciantes conseguiram se adaptar e não apenas manter seus negócios, como aumentaram o faturamento e até contrataram colaboradores. 

Em Balneário Piçarras, durante o auge da pandemia, 2,47% dos associados da CDL local haviam demitido, revela a presidente Erlaine Eugenio. Segundo ela, o setor lojista vem mostrando reação, com a reinvenção de negócios e aumento na procura de salas comerciais para locação.

Impacto no comércio

Segundo o Sindicato dos Empregados no Comércio de Itajaí (SecItajaí), as subdivisões do comércio sofreram de forma diferente durante a pandemia. Enquanto o setor de farmácias registrou aumento nas vendas e os supermercados sofreram poucos efeitos negativos, vestuário, calçados, móveis e eletrodomésticos foram atingidos fortemente. 

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Setor alimentício de restaurantes foi, na minha concepção, o mais atingido e será o que o levará mais tempo a retomar a vida relativamente normal”, comenta Paulo Roberto Ladwig, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Itajaí (SecItajaí).

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Supermercadistas foram pouco afetados pela crise econômica (Imagem: Divulgação)

Mas nem todo mundo que perdeu o emprego vira micro empreendedor. Um dos efeito colaterais da pandemia é o aumento do trabalho informal ou precário. Paulo afirma que o “bico” está de volta, fruto, segundo ele, do desmantelamento das leis trabalhistas somado à crise econômica proporcionada pela pandemia.

Hoje, se o empresário for contratar, por conta da pandemia, não se tem a segurança, e vai voltar aquilo de a pessoa vir na loja, trabalhar dois ou três dias, e ir embora”, ilustra o presidente do SecItajaí.

Os serviços de entrega foram os que mais absorveram parte da massa de desempregados, parte deles, registrados como MEI e outra parte informal.

Construção Civil

Outro setor que conseguiu passar pela pandemia sem grandes perdas é o da Construção Civil, que gera, direta e indiretamente, cerca de 6% dos empregos formais na região. Entre janeiro e julho, apresentou saldo positivo no estado com 1.999 novas vagas.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Sinduscon), Bruno de Andrade Pereira, afirma que o panorama é o mesmo na região:

O setor não demitiu num primeiro momento e não precisou realizar demissão em massa. Então não houve demissões, apenas aquelas usuais, de término de contrato de trabalho, por baixa produtividade ou descontentamento de uma das partes”, detalha.

A construção Civil retomou dia 2 de abril, a partir de protocolo elaborado pelo Sinduscon, Sesi e Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

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Construtoras afirmam que não precisaram realizar demissões em massa (Foto: Divulgação)

Novas vagas

Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Santa Catarina fechou julho com 10.044 novas vagas de emprego, o melhor resultado desde o início da série histórica, em 2004.

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Setembro começou com 3.640 novas vagas no Sistema Nacional de Emprego de Santa Catarina (Sine/SC). Destas, 14 são em Penha, nas seguintes áreas: construção civil, marcenaria, automotiva, mecânica, vendas, farmácia e supermercado.

Saldo negativo

Mas os índices negativos acumulados desde a chegada da pandemia, indicam que 107.323 postos de trabalho foram fechados no estado desde março.

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Sine de Penha tem 14 vagas em aberto (Foto: Arquivo | Divulgação)

No acumulado do ano, o saldo é de 53.592 postos fechados, pois os meses de janeiro, fevereiro e junho tiveram mais contratações do que demissões, de acordo com dados do Boletim de Indicadores Econômicos-Fiscais de Santa Catarina, realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), publicado em julho.

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