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CRISE
Negócios dependem da redução do isolamento social para respirar

PENHA - Hotéis, pousadas e outros serviços ligados ao turismo estão entre os mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. A taxa de ocupação no município chegou a zero durante março e abril e ficou entre 20% e 40% após a reabertura. Mas o resultado não chega a empolgar o setor, que conta com os próximos feriados, especialmente o fim de ano, para reduzir o prejuízo e aumentar a ocupação nos cerca de 5 mil leitos disponíveis.

Sem acesso a crédito para se adaptar, a maioria das empresas depende da redução do isolamento social para manter as portas abertas. A Foz do Rio Itajaí Açu é o epicentro da pandemia de Covid-19 no estado.

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A Festa Nacional do Marisco já foi cancelada e, segundo o secretário de Turismo, ainda não há um parecer definitivo sobre a programação de fim de ano. A prioridade deve ser reduzir o contágio, mas não há nenhuma indicação de que o município deva determinar o fechamento total novamente.

Vamos aguardar algumas semanas para ter uma posição para esses eventos de fim de ano, para acompanharmos como estarão os índices da pandemia. O momento na verdade é de conter o vírus aqui na cidade e região. Estamos mais preocupados com isso”, defende Cleber Neumann.

No vermelho

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Entre março e abril, o impacto econômico para o setor hoteleiro no estado foi de aproximadamente R$ 9 milhões, e pode chegar à casa dos R$ 32 milhões até dezembro, segundo projeção da Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur).

No cenário local, o panorama é o mesmo. A Secretaria de Turismo de Penha estima que durante os cinco meses de pandemia houve queda em torno de 40% na arrecadação da Prefeitura.

Nossa ocupação foi de 0% a 30% nas primeiras semanas de reabertura. A partir de julho, chegamos em torno de 30% a 40%, e agora em agosto estamos voltando a 50% de taxa de ocupação. Estamos bem próximos de antes, mas com o detalhe de todos os valores estarem abaixo do praticado previamente”, explica o gerente de hotel em Armação, Rudinei Marques Celestino.

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Medidas de biossegurança devem ser prioridade para os serviços ligados ao turismo (Foto: Divulgação)

Na pousada de Erich Poetter, em Armação, a demanda para o final de 2020 está zerada. Ele não chegou a fazer demissões por conta dos auxílios financeiros para pagamento aos funcionários. Mas o crédito para se adaptar ao cenário atual não veio.

Ele procurou por meio de três bancos (Caixa, Banco do Brasil e Itaú), não obteve acesso ao crédito prometido pelo Governo Federal em nenhum deles.

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A queda foi de 60% na ocupação entre antes e durante a pandemia, além de uma redução de 80% no faturamento. Teve leve melhora em julho, mas ainda assim a média do valor da diária foi pior do que a de junho, que costuma ser o pior mês do ano", afirma.

Na Praia Alegre, uma das maiores pousadas da região também não passou dos 20% desde a reabertura do parque Beto Carrero. O gerente conta que o impacto da pandemia foi grande, resultando em demissões, suspensões, reduções, renegociações de contratos com parceiros e fornecedores para manter as portas abertas.

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Rede hoteleira de Penha conta com 5 mil leitos (Foto: Divulgação)

A falta de crédito também impôs dificuldades para a empresária Nair Gretter manter de portas abertas a pousada que gerencia no Centro da cidade.  Ela também tentou obter empréstimo, sem sucesso. Os custos são pagos por outros negócios que ela têm.

Antes da pandemia, em pleno verão, a pousada tinha taxa de ocupação de 100%. Já no inverno, normalmente, esse índice fica entre 50% e 70%. Porém, neste ano, diante da crise sanitária, a taxa de ocupação está na faixa de 20%", conta.

Retomada segura

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As perspectivas para o período de pós-pandemia são otimistas. Mas o professor e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Marcos Arnhold Junior, lembra que a retomada deve se dar a partir do momento em que uma vacina seja distribuída.

A intenção de realizar turismo após a pandemia é muito grande. As pessoas querem viajar, sair de casa, viver a vida, mas esse retorno está muito condicionado às condições de segurança, relacionadas principalmente à biossegurança. Querem estar seguros sabendo que não serão infectados”, opina o especialista, doutor em Turismo e Hotelaria.

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Parque Beto carrero é uma das empresas locais certificadas com o selo "Turismo Responsável, Limpo e Seguro" (Foto: Divulgação | BCW)

Sem a vacina, a retomada deve ser lenta e a manutenção dos negócios deve depender da oferta de crédito mais acessível e incentivos públicos para que o setor se adapte ao novo cenário. 

As medidas de biossegurança são as mais necessárias e urgentes. O Ministério do Turismo criou o selo "Turismo Responsável, Limpo e Seguro", para indicar quais são os estabelecimentos que seguem os protocolos oficiais contra a Covid-19.

A região Costa Verde & Mar é a que mais recebeu os selos em Santa Catarina. Penha, até quarta-feira (12), contava com 30 selos, entre hospedagem, restaurantes, parque temático, prestador especializado e transportadora turística.

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