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No setor industrial a espera é por definições do governo

REGIÃO - Começou com expectativa otimista, dia 1º, a safra da Tainha 2019 para a pesca artesanal em Santa Catarina. A Federação dos Pescadores do Estado (Fepesc) espera que sejam capturadas cerca de 2 mil toneladas - em um cálculo que considera “boa” uma safra de 1,5 mil toneladas. Estima-se que entre 14 e 15 mil pescadores participem desta temporada. No estado, podem renovar o documento todos aqueles que obtiveram licença em 2017, mas a pesca industrial, que deve começar em junho, ainda está indefinida.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Pesca (Sintrapesca) estima que entre 32 a 50 embarcações industriais sejam licenciadas.  Os armadores (indústrias) esperam que até o dia 15 de maio seja publicada uma portaria da Secretaria Nacional da Pesca para definir a quantidade de barcos autorizados e a cota deste ano.

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A medida deve ser anunciada depois que a Câmara Técnica da Tainha descartou a possibilidade de “cota-zero” como forma de compensar o volume pescado acima do limite na temporada passada.

“Em 2018, em apenas 10 dias de pescaria, a frota de traineiras (industrial) excedeu sua cota de captura em 114%. Já a frota de emalhe anilhado (artesanal) manteve suas capturas dentro do limite determinado, conforme relatado no relatório final do Comitê de Acompanhamento das Cotas”, afirma nota publicada pelo Instituto Oceana (Leia na íntegra) em defesa da cota-zero 2019.

A ideia defendida também pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outras instituições foi combatida por pescadores e armadores durante reuniões realizadas em Itajaí, no mês de abril.

“A reunião foi muito tensa, mas essa já foi uma vitória dos pescadores..O que defendi e sigo defendendo é a cota individual das embarcações, para que o controle seja assertivo”, afirma o presidente do Sitrapesca, Henrique Pereira.

Ele afirma que a pescaria realizada pela frota de estados do Sudeste e as falhas no controle da cota coletiva foram decisivas para a captura acima do limite.

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Em 2018 cota de captura da indústria foi excedida em 114% (Foto: Arquivo | Sintrapesca)

Espera na praia

Em todo o litoral do estado, a pesca artesanal está liberada desde o dia 1º, mas a condição climática para a chegada dos primeiros cardumes ainda não é a ideal segundo os pescadores.

“Se esfriar o tempo e dar o vento sul, vem uma boa safra, independentemente do mês que acontecer. Enquanto não acontecer esse clima, a safra sempre será intermediária”, explica o pescador Ilvo da Silva, presidente da Fepesc.

Já para o pescador de Penha, Afonso João Martins, 56 anos, a expectativa não é tão animadora por causa do calor na primeira semana de maio.

“Para o nosso tipo de rede aqui, eu tô vendo que não está um horizonte muito bom. Está muito quente para a época. Mas depende muito do clima dar frio e do movimento dos barcos industriais. O ideal é dar um tempo frio no sul, no final de Abril, para o cardume chegar aqui antes deles chegarem no cardume”.

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Pesca da tainha depende da condição climática favorável: frio e vento sul (Foto: Arquivo | Sintrapesca)

Seu Afonso trabalha com mais três colegas em um pequeno barco, que parte da praia de Armação em busca das tainhas. Agora, com a abertura da temporada de pesca, eles pensam em chamar mais um membro para a equipe, que encara todos os dias a rotina no mar.

“Pescamos usando a rede de trulho.  Acordamos cedo, no amanhecer do dia - quando temos alguma informação de peixe mais longe do porto, saímos mais cedo. Temos que chegar no peixe no amanhecer do dia, porque ainda tem que procurar o cardume e cercar. Geralmente passamos o dia no mar, às vezes saímos mais cedo, às vezes chegamos a passar o dia e a noite pescando”, conta seu afonso.

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 REPORTAGEM: Jeferton dos Santos 
EDIÇÃO: Leandro Cardozo de Souza

 

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