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Desvio pelos bairros Nossa Senhora da Paz e Santo Antônio registra lentidão

REGIÃO - Durante a primeira semana do fechamento total da ponte entre Piçarras e Penha, a reportagem do Expresso das Praias verificou que a população aderiu em peso ao transporte gratuito pelo trajeto de desvio até o centro. Mas, enquanto as vans do município trafegam com superlotação, o transporte coletivo - que segue regras de distanciamento - opera com ônibus vazios.

O transporte gratuito com dois veículos da frota municipal ocorre durante o horário comercial, exceto nos fins de semana, de forma simultânea (ida e volta). O embarque é junto às duas cabeceiras da ponte e o tempo de espera varia entre 30 minutos e uma hora.

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Os passageiros utilizam álcool em gel disponilizado antes de embarcar e devem respeitar o uso obrigatório de máscara. Mas a reportagem flagrou o serviço operando com ocupação acima do limite e sem distanciamento social - o que é exigido pelo município das empresas de transporte coletivo.

Nessa primeira semana, como tem só uma van, a gente faz essa viagem de uma em uma hora. Se alguém quiser vir, é só levantar a mão que a gente para. [...] Em algumas situações estou deixando pessoas irem em pé. O pessoal usa a van para trabalhar e se eu não deixar a pessoa entrar, ela pode perder a hora para chegar no trabalho", afirmou motorista Elmal Engelmann. 

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Passageiros usam álcool em gel mas não respeitam distanciamento (Fotos: Luiza Vilas Bolas | EP)

Perigo na pista

Quem precisa se deslocar pelo desvio, na Rua Ludgero Caetano Vieira (5000), enfrenta mais do que um trajeto mais longo. Sem passeio público e ciclofaixas, a principal via de ligação entre os bairros Nossa Senhora da Paz e Santo Antônio registra lentidão em horários de pico e exige atenção redobrada de todos.

Não tem sinalização para ninguém e a solução é terminar logo a obra. Outro dia, fui atravessar a rua na frente da minha casa e veio uma Biz que quase me pegou. E faz pouco tempo que morreu uma menina de moto aqui', relata Maria Madalena Corrêa, de 68 anos. 

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Ciclistas, pedestres e motoristas precisam redobrar atenção

Os semáforos do cruzamento com a Rua Alexandre Guilherme Figueredo (700) foram desativados para amenizar o congestionamento, mas a situação ficou mais perigosa para pedestres e ciclistas.

Perto das 18h fica impossível, tem muitos carros, muitas bicicletas e muitos pedestres. Nosso bairro tem muitas crianças, muitas pessoas andando a pé e falta calçada e sinalização. Outra noite, uma menina quase foi atropelada. Já era perigoso [antes das obras] e ficou pior", opina a ciclista Cristina Braga Medeiros, de 38 anos, moradora do Nossa Senhora da Paz.

Travessia perigosa

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A construção de uma ponte é cobrança constante. Mas a Prefeitura informou que os custos e trâmites para licenciamento inviabilizaram a ideia. Antes da fase de demolição, o município chegou a permitir que pedestres, ciclistas e motociclistas fizessem a travessia pelo canteiro da obra. Agora, os moradores reclamam de demora no andamento.

O grande problema é a velocidade que está indo. É muito devagar e eles não estão medindo o sacrifício que o pessoal está passando. Eu já vi gente aqui quase chorando pensando em como dar a volta, antes dessa van", reclama o técnico em soldagem Joaquim Pereira, de 66 anos.Morador de Penha há três anos, ele afirma que muitas pessoas correram risco ao atravessar a ponte.

Uma delas é a moradora de Balneário Piçarras, Sonja Costa, que reside nas proximidades da obra há duas semanas e tropeçou enquanto atravessava a ponte a pé. 

Machuquei a mão, fiquei até com tontura porque tenho um problema que dá tremedeira. Se a minha filha não estivesse comigo, eu não teria levantado. Fico pensando: e para uma senhora de idade? Eles tinham que fazer um acesso pelo menos para o morador passar a pé", opina a moradora.

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Passageiros embarcam cabeceiras sul e norte da ponte 

Shirley Ricordi de Moura e Dirce Ricordi são moradoras do bairro Nossa Senhora de Fátima, em Penha, e também correram esse risco até que a ponte fosse fechada. 

Eu vou na lotérica mais perto aqui. Se tivesse uma ponte pelo menos para passar a pé eu acho que era melhor, mais rápido para ir e voltar. Eu achava muito perigoso [passar a pé pela ponte] porque ela [Dirce] é especial. Ela não obedece, anda na frente, tinha moto, tinha bicicleta", lembra Shirley. 

O fechamento da ponte, comunicado poucos dias antes pela Prefeitura, também pegou muita gente de surpresa:

Eu faço o meu trabalho com a bicicleta, a gente depende daqui. Poderiam fazer uma ponte provisória ou então deixar um lembrete dos dois lados. Hoje de manhã, se tivesse um lembrete lá de que a tarde não teria como passar, seria bem mais prático. Eles não pensam muito na gente", destacou Ana Maciel, que reside no norte de Balneário Piçarras e foi surpreendida no primeiro dia de fechamento da ponte. 

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Proximidades do cruzamento com Rua 700 tem engarrafamento diário

Ônibus vazios

Na mesma semana em que a ponte foi fechada, a Viação Navegantes voltou a operar com destinos que cobrem Barra Velha, Balneário Piçarras, Penha e Navegantes. A lotação máxima é de 50% da capacidade, os assentos devem ser intercalados, é disponibilizado álcool 70% e o veículo é higienizado a cada viagem. 

Os pontos de ônibus não cobertos podem ser identificados por placas de parada. Segundo o gerente, a frota está realizando embarques fora dos pontos previstos, uma vez que a população ainda não sanou todas as dúvidas a respeito dos horários.

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Principalmente pelo transtorno das obras em Navegantes e em Piçarras, o roteiro ficou diferente do que estavam acostumados", esclarece Márcio Cardoso. 

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Concessionária afirma que baixa na procura se deve ás obras em Piçarras e Navegantes

Ao longo da semana, as rodoviárias de Navegantes e Balneário Piçarras receberam diversas ligações de usuários do serviço.

Na medida do possível estamos atendendo [o telefone], pois toca demais e estamos com poucos funcionários por enquanto. Esperamos que logo normalize", afirma a gerente do terminal rodoviário de Balneário Piçarras, Elaine Welter Lamin.

O serviço também não está disponível durante os fins de semana e a frota é vista circulando com poucos passageiros em Balneário Piçarras e Penha. 

Menos do que o esperado, com ônibus até agora rodando praticamente vazio", afirma Márcio Cardoso, gerente da Viação Navegantes a respeito da lotação.

Confira os horários das linhas em operação entre Barra Velha e Navegantes:

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EDIÇÃO: LEANDRO CARDOZO DE SOUZA
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