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Atrás de melhores dias, fieis levam pão a quem tem fome

REGIÃO - Tradição secular interrompida pela primeira vez em 184 anos, a visita da bandeira aos devotos do Divino Espírito Santo não deixa de emocionar muita gente. A festa pode ser cancelada por conta da pandemia do novo coronavírus, mas a missão de “levar pão a quem tem fome” se mantém.

Uma iniciativa de arrecadar e distribuir donativos pelas ruas de Penha e Balneário Piçarras ajuda a preencher o vazio que os festeiros deixaram e leva adiante a mensagem de fé e solidariedade.

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Desde o começo do isolamento social, em março, o devoto Diego Souza percorre as ruas para ajudar as famílias mais afetadas pelas medidas de prevenção à Covid-19. A coleta de donativos ocorre sempre às terças-feiras em Piçarras e aos domingos em Penha. Mas, nesta quinta-feira (07), o carro vai percorrer as ruas do bairro São Nicolau, único que ainda não voi visitado.

Além de alimentos, ele também arrecada material de higiene, limpeza e ajuda para o combustível. Quem quiser contribuir, pode entrar em contato pelo telefone/WhatsAPP (47) 99997 9286.

Diego é técnico de som autônomo e também viu o trabalho diminuir durante a pandemia. Quem segurou as pontas com as despesas da casa foi a esposa, Paula Aliberti, e logo nos primeiros dias em isolamento, o tédio bateu, junto com a necessidade de ajudar quem estava mais prejudicado pela situação.

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Ele gravou uma mensagem com a participação voluntária da cantora Felícia Oliveira para pedir a contribuição dos moradores e, à bordo do carro de som com o qual trabalha, começou a percorrer a cidade.

A estimativa é de que até esta quarta-feira, dia 06 de março, já tenham sido distribuídas pelo menos 170 cestas básicas em quase dois meses de trabalho.

Já tem gente que recebeu pela segunda vez. Porque uma cesta dura mais ou menos uns vinte dias e tem outras campanhas acontecendo, além da ajuda da Assistência Social”, explica.

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Além de alimentos, voluntário também arrecada meterial de limpeza e higiene (Fotos: Reprodução | Facebook)

A demora na liberação de auxílio emergencial, o aumento nos casos do coronavírus e um possível fechamento total das cidades pode trazer ainda mais dificuldades. Por isso, toda ajuda é bem vinda.

A coisa tá piorando, só que graças à Deus a gente não pode reclamar. Porque tem muita gente doando”.

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Mensagem divina

A arrecadação aumentou nas primeiras semanas de coleta, período em que, tradicionalmente, iniciariam as visitas da Bandeira do Divino aos devotos da região.

Eu pensei em fazer alguma coisa para agredecer esse povo que está ajudando”, conta Diego.

Durante uma noite sem sono, a ideia veio como inspiração divina:

“Eu botei na internet que ia sair com a música do divino agradecendo, e foi um sucesso”.

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Diego estima que já tenham sido distrivuídas mais de 170 cestas básicas em Piçarras e Penha (Fotos: Reprodução | Facebook)

Diego substituiu a mensagem inicial que pedia donativos pela canção “A Badeira do Divino”, escrita por Ivan Lins e interpretada por Giza Carla. A surpresa emocionou muita gente.

A vizinhança toda corre na rua para ver a hora que ele passa.... Isso enche o coração da gente de esperança...”, conta o devoto Marcio Silva, que filmou a passagem do carro pela rua dele, no Centro de Piçarras.

Por onde passa, o Fiat Uno vermelho causa comoção e inspira ainda mais gestos de solidariedade.

Nesta semana, ao lado da esposa Paula, Diego já passou pelo Centro de Penha e Piçarras, percorreu a Armação do Itapocorói, Santa Lídia, Nossa Senhora da Conceição, Itacolomi, e outras comunidades.

Quem quiser contribuir, pode entrar em contato pelo telefone/WhatsAPP (47) 99997 9286.

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Ano da saudade

Em 2019, no mesmo período em que neste ano realizam a campanha solidária, Diego e Paula acompanhavam as visitas do imperador Oscar Pedroso “Tampa” aos fieis. Além de uma homenagem ao amigo - falecido no fim do ano passado - o gesto também exalta outra figura marcante de quem os devotos se despediram em 2019: a cantora Giza Carla.

Eu dividia palco com ela há muito tempo. Ela estava uns cinco a mais na festa que eu, uns 35 anos no mínimo”, relembra Diego, que é técnico de som.

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