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Ainda não há consenso sobre o volume total de chuva nas últimas 24 horas

PENHA - O prefeito Aquiles Costa (MDB) decretou nesta sexta-feira, dia 18, estado de emergência em 11 regiões do município afetadas pela tempestade que alagou ruas, invadiu casas, empresas e prédios públicos no fim da tarde de ontem (17). A Defesa Civil ainda calcula o prejuízo para solicitar liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aos afetados, mas já estima que a cifra chegue à casa dos R$ 5 milhões. 

 

Os donativos para os atingidos devem ser entregues na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas, ao lado do Salão Paroquial da Igreja Matriz, que está sendo usado como abrigo. Durante a manhã seguinte à enxurrada, o Expresso das Praias percorreu algumas das comunidades atingidas, quando ainda era possível ver muitos locais com acúmulo de água, além das equipes da Prefeitura e de moradores que começaram cedo o trabalho de limpeza.

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Estão em situação de emergência os bairros de Armação do Itapocoroy, Nossa Senhora de Fátima, São Cristóvão, São Nicolau, Gravatá e Centro; além das localidades de São Miguel, Praia de Alegre, Olaria, Cohab e São Francisco de Assis. Assim, por um período de 180 dias, a Prefeitura fica dispensada de licitação para contratar serviços e adquirir bens relacionadas à reestruturação desses locais.

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Secretaria de Obras repara danos causados à rede de drenagem na comunidade do Morro do Ouro (foto: Divulgação | PMP)

Enxurrada em números

O Governo Municipal afirma que este foi o maior desastre natural ocorrido no município, com cerca de 1.300 residências atingidas e 400 famílias que precisaram se alojar provisoriamente na casa de amigos e parentes. A Defesa Civil também comunicou que pelo menos 47 pessoas precisaram do abrigo disponibilizado no Salão Paroquial do Centro logo após a tempestade.

Ainda não há consenso sobre o volume de chuva. A Prefeitura estima que tenham sido 140 mm, mas o sistema do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registra nesta sexta-feira 80,8 mm em 24 horas e 104,8 mm nas últimas 96 horas.

Moradores registraram a altura que água chegou em alguns locais da cidade (foto: Ana Vieira Siqueira)

Em Armação, o bairro mais afetado, cinco casas tiveram danos estruturais, e vários pescadores perderam embarcações. No entorno do Morro do Ouro, a água que se acumulou em alguns pontos e quase cobriu por completo os carros também surpreendeu quem estava fora de casa.

“Aqui é um vale com quatro baixadas, a água escorreu para cá e como a tubulação é fraca, encheu tudo. Chegou a passar da cintura. Como veio muito rápido, não deu tempo de nos preparar, ainda estávamos com clientes, mas temos bastante funcionários e deu tempo salvar a comida e levantar móveis”, conta Claudia Helena, gerente de uma pizzaria.

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Em poucos minutos água subiu e quase cobriu os carros por completo (foto: Claudia Helena)

Os alagamentos provocaram pânico para as famílias com idosos e pessoas que têm familiares doentes dentro de casa.

“Aqui em casa perdemos tudo que tínhamos. Minha mãe tem Alzheimer, tivemos que colocar ela em cima da cama, com mais três colchões para a água não chegar nela. A água quase entrou pela janela, ficamos com muito medo de entrar e não conseguirmos mais sair de casa”, conta a moradora Ana Vieira Siqueira.

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Casas foram tomadas pela água, que danificou móveis e obrigou moradores a se alojarem em casa de parentes e amigos

Infraestrutura precária

Segundo a Prefeitura, desde janeiro de 2017 foram instalados 17 mil tubos em locais sujeitos aos alagamentos como a Praia de São Miguel, São Cristóvão e a região da Serraria, no Bairro Nossa Senhora de Fátima. Mas as imagens registradas nesta sexta-feira confirmam que ainda faltam investimentos em drenagem urbana.

Na região do Cohab, as áreas mais atingidas são as que foram ocupadas sem planejamento e têm tubulação precária ou inexistente. Valmir Custódio de Souza, que mora perto do colégio João Batista da Cruz foi um dos moradores atingidos.

“Aqui a situação quando chove sempre foi ruim. Geralmente alaga toda a rua e fica difícil pra gente sair ou entrar em casa. Uns tempos atrás também mexeram na Transbeto, aqui atrás, e a água fica tudo acumulada lá. Com essa chuva forte, a água chegou até aqui e encheu tudo. Estragou os móveis de madeira tudo e até entrou dentro do carro”, lamenta.

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Cohab: moradores perderam móveis e outros pertences que foram danificados pela água (foto: Jeferton Santos | EP)

Reconstrução

O trabalho para restabelecer os serviços começou logo depois da chuva e atravessou a madrugada. Segundo a Prefeitura, os serviços de saúde, água e luz voltaram a operar e a expectativa é de que até segunda-feira (21) as creches sejam reabertas para as Colônias de Férias. 

"Estamos elaborando um relatório para conseguirmos buscar junto a Defesa Civil Nacional a liberação do FGTS das famílias atingidas, além de prestar toda a ajuda possível às famílias atingidas", afirma a coordenadora da Defesa Civil de Penha, Edinéia Correa.

Região do Morro do Ouro, em Armação, foi uma das mais atingidas (foto: Jeferton Santos | EP)

A liberação do FGTS será bem bem vinda para os moradores que tiveram casas invadidas pela água, como é o caso de Francisco Sebastião, que mora na rua Goiás, em Armação. Para ele, os alagamentos são consequência da falta de manutenção na rede de drenagem:

“A chuva que deu ontem foi rápida e a tubulação que temos aqui é pequena, com tubo de 40cm, e ainda está tudo entupido e quebrado. Como minha casa é antiga, ela é mais baixa e a água entrou pelo portão e invadiu tudo, chegou a subir 40 cm”, relembra.

Ele perdeu alguns alimentos, mas conseguiu amenizar o estrago graças à solidariedade de vizinhos que se mobilizaram para ajudar a tirar alguns móveis e a limpar a sujeira.

Nas redes sociais, o prefeito Aquiles Costa fez um balanço da situação e das medidas que estão sendo tomadas:

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 * ACADÊMICO DE JORNALISMO/UNIVALI
EDIÇÃO: LEANDRO CARDOZO DE SOUZA (004308/SC)
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