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Transtorno para moradores e visitantes perdura por mais de 12 dias

PENHA - Com algumas regiões há 12 dias sem água, moradores preparam uma manifestação para o domingo, dia 13, em frente ao escritório da Águas de Penha. O protesto é organizado por meio do Facebook que convoca a população afetada para pressionar a concessionária a apresentar uma solução efetiva para o problema do desabastecimento na temporada. Nesta terça-feira, dia 08, lideranças comunitárias propuseram junto ao Ministério Público uma ação civil pública contra a empresa.

O morador que organiza o protesto para este domingo afirma que a pauta principal são os investimentos previstos em contrato e que não foram atendidos pela Águas de Penha e cobrados pelo município.

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"A falta d'água é algo mais sério do que podemos imaginar. Além de todo transtorno e humilhação que a população se submete, interfere no turismo, passando uma péssima imagem aos visitantes (o que representa a principal rotatividade na economia municipal nesta época). Se teremos água não sabemos, a única certeza é a conta no fim do mês", reclama Tiago S. Francisco.

 

Em muitas das regiões afetadas a água tem chegado na rede, mas ainda sem a pressão necessária para encher as caixas d’água. Por isso, muitos moradores usam mangueira para garantir o abastecimento ou baldes para atender necessidades básicas. Onde a água não chega, o jeito é recorrer à compra de água mineral. Esse é o caso de Juliano Alvez, 32 anos:

“Aqui ficamos alguns dias sem nenhuma água. Cheguei a ligar para algum caminhão abastecer, mas estavam cobrando quase R$ 1 mil reais para encher minha caixa de 3 mil litros. Para a roupa e tomar banho íamos na casa de minha sogra, para o resto das coisas usávamos garrafão d’água”, conta.

Ação na Justiça

Essa realidade é rotina há muitos verões para quem mora ou veraneia nessas localidades. Por isso, representantes da Associação de Moradores e Amigos da Praia Grande (AMAPG) se reuniram com o promotor Luís Felipe Czesnat, no Fórum de Balneário de Piçarras, para propor a abertura de uma ação civil pública para responsabilizar a concessionária e o município pela falta de investimentos no setor ao longo dos últimos anos. 

“Não é de hoje que sofremos com a falta de água. Ano passado também chegamos a ficar mais de dez dias nessa situação. Nessa época já houve uma reunião com a Prefeitura e Águas de Penha, onde a concessionária prometeu melhorias na infraestrutura para o problema não voltar a acontecer. De lá para cá nada mudou. Quarta teremos uma nova reunião com eles, mas já não temos nenhuma expectativa quanto às promessas”, comenta o representante da AMAPG, Gilberto Manzoni.

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Águas de Penha encaminhou caminhões pipas para atender apenas a demanda de algumas empresas e serviços (Foto: Divulgação | AMAPG)

Para atender a demanda de pousadas, hotéis e estabelecimentos comerciais, a Águas de Penha empregou caminhões pipa. Mas a solução não chegou para todo mundo:

“Fomos pegos de surpresa com a falta de água. Cheguei a falar com a Águas de Penha e abri uma solicitação, mas até o caminhão entregar a água, ficamos sem nada. Um hóspede chegou a ir embora e pedir o reembolso”, comenta a gerente de pousada Fabiana de Souza.

Os prejuízos com cancelamentos e pedidos de reembolso foram contabilizados por outras pousadas, que aguardam uma solução antes do fim da temporada. Restaurantes, pizzarias e lanchonetes também passaram por dificuldades. A falta de água comprometeu o funcionamento dos banheiros e cozinhas.

“Aqui a gente não foi tão afetado como outros lugares que conhecemos. Ficamos três noites sem água, mas como conseguimos pratos e talheres extras, não precisamos fechar. Só atrapalhou na cozinha e os banheiros que não dava para usar. Os pratos deixamos para lavar tudo no outro dia.”,  comenta André Lucas, gerente de pizzaria.

O Expresso das Praias questionou a Águas de Penha sobre as metas de investimento previstas no contrato de saneamento que não foram cumpridas, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem, às 16h. Em comunicado no Facebook, a empresa informou, no domingo (6), que o desabastecimento é provocado pelo baixo nível do Rio Piçarras e "alto consumo". Na segunda-feira (7), o prefeito Aquiles Costa aplicou multa e ameaçou romper o contrato em até 10 dias caso a empresa não apresente uma solução.

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* ACADÊMICO DE JORNALISMO - UNIVALI
EDIÇÃO: LEANDRO CARDOZO DE SOUZA - JORNALISTA
 
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