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Estiagem é a mais severa registrada em SC desde 2006

REGIÃO -   A chuva acumulada nas últimas semanas não foi suficiente para normalizar o abastecimento de água a partir dos rios Piçarras e Itinga. Para manter o serviço, ainda que de forma irregular, as concessionárias realizam rodízio no abastecimento e recomendam redução no consumo.

No Rio Piçarras, que abastece também a cidade de Penha, o nível da água baixou aproximadamente 70 cm no ponto de captação. A situação é mais crítica em Barra Velha, que está em situação de emergência desde que a lagoa reserva secou. 

De acordo com a Casan, o Rio Itinga, onde a água é captada para distribuição em Barra Velha e São João do Itaperiú, perdeu aproximadamente 90% do volume e desceu cerca de 1,5 metro do nível normal.

A chuva de 16mm [registrada entre 13 e 15/05] amenizou o problema em Piçarras, mas não foi de significativa ajuda em Barra Velha. A orientação ainda permanece para consciência no uso da água, por parte dos moradores”, afirma a Casan em nota.

Água turva

A presidência da Casan garante que cumpre os contratos de fornecimento e que não há alteração na qualidade da água que sai das Estações de Tratamento, mesmo durante períodos de seca: 

As unidades são instaladas de modo a atender os padrões de potabilidade do Ministério da Saúde independentemente do cenário de captação e das condições da água bruta”.

Mas os moradores reclamam constantemente da turbidez da água quando o abastecimento é retomado:

No início da semana passada eu fiz a troca da caixa d’água e coloquei uma nova. Infelizmente ela já está cheia de sujeira”, reclama Dona Dóra, que mora no centro de Penha. 

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Lagoa de captação da água do Rio Itinga secou e não há previsão de aumento no nível da água em curto prazo (Foto: Defesa Civil)

Barra Velha

O prefeito Valter Zimmermann decretou situação de emergência e cobra mais investimentos da companhia, como a conclusão de obras de transposição do rio e perfuração de poços. 

O decreto é justamente para isso, para que facilite para a concessionária fazer ações emergenciais, sem licitação, com compra direta de materiais e serviços”, explica o coordenador da Defesa Civil, Elton Cunha.

De acordo com ele, além de prejudicar o abastecimento de água, a estiagem tem contribuído para o aumento nos focos de queimada.

Problema constante

Na Quinta dos Açorianos, os problemas no abastecimento são constantes, principalmente no verão, e se agravaram agora. A associação dos moradores informa que o bairro chegou a ficar 13 dias sem água durante o mês de maio.

Isso é inconcebível. Época de temporada também falta água para população e turistas. É necessário uma ação urgente e eficaz para resolver esse problema”, cobra a moradora Cleusa Verissimo da Rosa.

Situação semelhante é vivida no bairro Itajuba, onde a comunidade tem sido abastecida emergencialmente pela Casan de Piçarras.

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Rio itinga desceu 1,5 metro e deixou cidades de Barra Velha e São João do Itaperiú sem água (Foto: Defesa Civil)

Penha

A companhia “Águas de Penha” informou que além da estiagem mais severa registrada desde 2006, o aumento no consumo durante a quarentena para conter a Covid-19 também foi registrado neste período do ano.

Os níveis de chuva já foram baixos desde agosto do ano passo, o que culminou agora no final de abril para começo de maio numa baixa, com restrição de vazão do rio”, explica o diretor da companhia, Grabriel Buim.

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De acordo com ele, os efeitos começaram a ser sentidos de forma mais severa a partir do dia 07 de maio deste ano. Os bairros mais atingidos são as localidades consideradas “ponta de rede”, como Praia Grande, São Miguel e Santa Lídia.

A moradora Flávia Xavier mora em um desses pontos e também sofre com problemas constantes de falta d’água, mesmo em períodos de chuva:

A minha casa é que mais tem problema porque é a mais alta do bairro e a Águas de Penha não consegue deliberar a pressão necessária”, reclama.

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Na Praia Grande, problema frequente se agrava em períodos de estiagem prolongada (Foto: Arquivo | AMAPG)

Discussão permanente

O saneamento básico é uma pauta frequente nas reuniões da Associação de Moradores das Praias Grande, Cascalho e Poá.

Não temos visto avanços nessa situação da água. Nesse momento a gente entende realmente que essa falta é uma questão climática e estamos sensibilizando nossos associados para colaborar e economizar água”, afirma o morador e liderança local Gilberto Manzoni.

Essa mobilização também chegou à Associação de Moradores da Praia do Quilombo (AMAQ), onde os moradores articularam uma campanha a respeito do uso racional de água:

É um momento que você precisa repensar um pouco quando for lavar o caro, lavar a calçada, a casa… e começar a poupar”, afirma o presidente da entidade, Marinho Alves.

Ações emergenciais

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Os diretores e gerentes locais da Casan foram desautorizados a falar com a imprensa. Por meio da assessoria, a presidência da companhia informou ao Expresso das Praias as medidas que vem tomando:

- Reaproveitamento do efluente de água gerado durante o processo de tratamento;

- Alteração da barragem da captação em Barra Velha;

- Nova captação e adutora, para bombear água de São João do Itaperiú para Barra Velha (em implantação);

- Perfuração de poço profundo em Barra Velha, ainda não ativado. 

No caso de poços profundos não há certeza da vazão que será possível captar, entretanto é mais uma das alternativas que a CASAN está tomando”, ressalta a companhia em nota. 

Plano de ação

A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS) solicitou às concessionárias que elaborem um plano conjunto para enfrentar a situação e prestem contas das ações que já tomaram.

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Água da ETA Piçarras também tem sido distribuída em Itajuba, no município de Barra Velha (Foto: Leandro Cardozo de Souza | EP)

O Boletim Hidrometeorológico Integrado do Estado divulgado nesta semana aponta que pelo menos 222 cidades apresentam problemas no abastecimento público. 

De acordo com o levantamento, não se observa uma distribuição de chuva adequada e suficiente para normalizar o abastecimento urbano em curto prazo.

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