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Seu Heleno Borba alerta embarcação sobre risco de ficar encalhada na entrada do Rio Itajuba

 

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Prefeitura garante que vai desobstruir canal para passagem de barcos e que formação de bancos de areia é normal na foz do rio

 

Barra Velha – Ao ver o irmão e o filho chegando com o barco para entrar no Rio Itajuba no início da tarde da quarta-feira (6), seu Heleno Abílio Borba começou a abanar os braços, cruzando-os sobre a cabeça. Era um sinal de alerta para que eles não adentrassem no rio. Corriam risco de encalhar.

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Ao perceber o aviso, o irmão, Bento Abílio Borba, e o filho, Herivelton Abílio Borba, diminuíram a velocidade do barco e, aos poucos, tentaram passar pela boca do rio, mas não conseguiram. Logo na entrada o barco bateu o fundo e os dois pescadores foram obrigados a sair de ré para não encalhar a embarcação.


A situação flagrada pelo Expresso das Praias por volta das 13h30 da quarta-feira (6) tem se tornado comum na boca da barra do Rio Itajuba. Mesmo com a construção do molhe inaugurado oficialmente no dia 25 de junho, barcos não estão conseguindo entrar no rio, que está assoreado.


Logo na entrada da boca da barra, a profundidade do calado não chega a um metro, segundo os pescadores. Mais para dentro, onde a profundidade é suficiente, a largura do rio é pouca, devido à areia que se acumulou na margem sul. Aqueles que tentam passar, acabam encalhando.


Foi exatamente o que aconteceu com o pescador Edenílson Abílio Borba na segunda-feira (4), por volta das dez da manhã. Com a maré vazante, o calado do rio estava muito baixo e, ao tentar entrar no rio para atracar o barco, Edenilson se viu encalhado ao lado do molhe.


- Cheguei a ficar atravessado. Saí de ré, passei trabalho mas saí – contou, estipulando mais de meia hora até que conseguisse retirar o barco da boca da barra.

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Ainda, no dia 30 de junho, menos de uma semana antes, outro barco já havia encalhado na boca da barra. O fato aconteceu cinco dias depois da inauguração do molhe, que entre outras coisas, era uma das soluções apontadas pela prefeitura para o assoreamento do Rio Itajuba.


- Quando fizeram a inauguração, já fizeram a inauguração da barra fechada – criticou um dos pescadores, que preferiu não ser identificado.


A situação, que segundo os pescadores, acontece há um mês, tem atrapalhado a atividade pesqueira na região. Conforme explica Heleno Borba ao Expresso das Praias, nem mesmo barcos pequenos conseguem deixar ou entrar no rio quando a maré está baixa.


- Para sair a maré tem que estar vazante e para entrar a maré tem que estar enchendo – afirma Heleno.


Debate

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Para os pescadores e para quem acompanha o dia a dia na barrinha, a prefeitura errou ao não fazer um molhe no leito sul, para evitar a entrada de areia.


- Aqui ficou como estava. Não mudou nada. Nunca vi boca de barra com só um molhe – observa o autônomo Airton Carlos Zanetti, que na quarta-feira acompanhava a entrada de barcos junto aos pescadores.


Procurado pelo Expresso das Praias, o prefeito Claudemir Matias (PSB) afirmou que ainda na quinta-feira (7) uma máquina seria levada até a barrinha do Rio Itajuba para fazer o desassoreamento do local. Matias disse ainda que o assoreamento do rio é normal e que um molhe ao sul não iria impedir que o mar levasse areia até dentro do rio.


- Ali nesse tipo de obra é normal isso. Em toda obra de boca de barra a onda traz areia e deposita nos canais. Não tem como impedir – disse Matias, afirmando que o trabalho de desassoreamento deve ser periódico.


O desassoreamento do rio e a construção do molhe custaram aos cofres públicos R$ 1.131.224,95. Na assinatura da ordem de serviço, a prefeitura afirmou que a obra seria “de grande importância contra as cheias que o bairro sofre devido ao assoreamento do canal da barrinha”.


A prefeitura disse ainda que a execução do serviço contribuiria para “a proteção das embarcações dos pescadores artesanais que hoje têm seus barcos à deriva [sic] no mar porque não conseguem adentrar no rio para guardá-los”.

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