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Beto Carrero

Empreendedor propunha criação de zona de interesse turístico em área histórica do município

Penha - Com um sonoro “NÃO!” que ecoou pelo salão paroquial da Capela São João Batista, a maior parte da comunidade presente à Conferência da Cidade rejeitou, por volta das 20h40 desta segunda-feira (15), a proposta para permitir a verticalização da parte central da Praia de Armação do Itapocorói. A mudança no Plano Diretor que permitiria a edificação de até 20 pavimentos em uma área considerada de valor histórico, cultural e natural só teve seus propositores e detalhes revelados no dia da conferência e foi rechaçada em votação simbólica pela maioria dos presentes.

O Conselho da Cidade (ConCidade) também se reuniu para aprovar a posse de novos membros e avaliar mudanças na lei que regula a altura máxima de paredes cegas junto às extremas de imóveis. Mas entre os itens da pauta, a proposição do empreendedor local Marcos Caldeira foi o que atraiu a maior parte dos participantes.

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A região do entorno do Trapiche e da Capela construída em 1759 é hoje, de acordo com a legislação municipal, uma zona de ocupação tradicional. Mas a empresa representada por Caldeira, a Santa Lídia Empreendimentos, propunha a criação de uma zona de interesse específico para atrair, segundo ele, investimentos do setor de serviços.

Para o empreendedor, sem possibilitar construções de grande porte nessa área, o município não poderá qualificar o atendimento ao turista. A proposta, segundo ele, visava aumentar o tempo de estadia dos turistas e atrair público com maior poder aquisitivo, ao permitir  empreendimentos de grande porte do setor hoteleiro e náutico, por exemplo.

“Como todo mundo sabe, a Penha tem muita coisa a ser explorada. Mas explorar só preservando, sem tirar qualquer tipo de proveito, eu vejo que não é o caminho” - concluiu Caldeira.

Marcos Caldeira, da Santa Lídia Empreendimentos, apresentou a proposta sob protestos
 

Quem se posicionou contra a mudança e a favor das restrições atuais contesta esse modelo de desenvolvimento. A Associação de Moradores da Praia Grande, Poá e Cascalho (AMAPG) defende a efetivação do Parque Natural da Ponta da Vigia como como uma das estratégias para explorar a vocação do município para o turismo cultural, de aventura e junto à natureza.

“O que nós precisamos nessa região é de turismo de qualidade... Quando um helicóptero sobrevoa por aqui não é porque tem prédio, é porque tem morro, tem natureza”, defende o presidente da entidade, Gilberto Manzoni. 

Entre a maioria dos presentes, todos os membros do ConCidade, incluindo o prefeito Aquiles da Costa (PMDB), se posicionaram contrários à mudança. A falta de infraestrutura urbana como saneamento básico (água e esgoto), eixo binário e de pavimentação pesou entre os argumentos levantados contra a mudança. Depois da votação, o prefeito se posicionou contra a medida e se comprometeu com a realização de investimentos a partir deste ano.

 "O que a gente veio fazer aqui hoje foi ouvir a comunidade. Mesmo que fosse aprovado, seguindo o rito, e depois fosse aprovado pelo Concidade, ainda assim dependeria do prefeito decidir se mandaria o projeto para a Câmara ou não. E eu quero dizer para vocês que eu tenho um vínculo afetivo muito forte com esse lugar [...] A gente consegui chegar ao final do ano com saldo positivo em caixa e que nos deu fôlego para que a gente possa olhar e entrar em 2018 com a possibilidade de fazer muitas obras".

Consequências

Os efeitos da verticalização sem planejamento foram lembrados durante a discussão sobre a altura máxima de paredes cegas junto às divisas de terrenos em algumas áreas da cidade.

A geógrafa Nadir Debatin tem casa ao lado de um empreendimento imobiliário recém concluído na Rua Monte Castelo, Centro. Ela denuncia a precariedade do pavimento das ruas do entorno após o aumento no fluxo de veículos e os transtornos causados para os vizinhos:

“São duas torres só de garagem, sendo que o telhado vem até a minha extrema, onde tenho três quartos, eles deixaram vão aberto para escape do gás carbônico. É isso, os moradores têm que respirar a poluição da ganância. Eu acho que tá na hora de darmos um basta. Humanizarmos a cidade e não capitalizá-la” - protestou a moradora de Florianópolis que tem casa de veraneio em Penha.

O setor de engenharia da Prefeitura avaliou a ideia de ampliar a altura máxima de paredes cegas em extrema de terrenos e garante que a medida deve beneficiar apenas imóveis com testada de até 11 metros. Ainda assim a proposta também foi rechaçada durante o debate, mas não foi colocada em votação.

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