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Beto Carrero

 

Era uma vez uma pequena cidade de 15722 eleitores e com 99 candidatos a vereador. Lembrei a velha história do saudoso Maneca Pires. Ele contava que no seu quintal amadureceu um mamão grande. Ele cuidou para que os pássaros não comessem o fruto. Mesmo assim, as aves fizeram um buraco do outro lado e atacavam em bando. Rápido, ele correu e tampou a passagem. Colheu o mamão e pegou 99 sanhaços lá dentro. Na época alguém perguntou por que ele não arredondou para 100? Ele respondeu que não iria mentir por causa de um!


A Bíblia também narra a história das 99 ovelhas que retornaram para o aprisco e o pastor foi em busca da centésima ovelha que estava perdida. No caso de nossos candidatos eles correm o risco de se perderem durante a campanha. Ou, de se perderem depois que entrarem na Câmara. Como diz a música da dupla Marcos e Belutti: são 99% anjo, mas 1% é vagabundo. É aí que mora o perigo. Ainda bem que este 1% não se candidatou. Assim eu espero!


Há o risco de ninguém se eleger, porque dividindo por igual o número de eleitores, todos ficarão com apenas 158 votos. Para garantir a eleição dos onze, os 99 terão de votar entre eles e escolher quem vai assumir na Câmara. Não está fácil para os candidatos e nem para os eleitores. Tem gente fazendo sorteio com os nomes. Até bingo com o número dos candidatos. Acontece que quem não é parente é amigo; o que não é amigo é irmão da igreja; os que não são irmãos da igreja são conhecidos e os que não são conhecidos estão na cidade errada...


E o salário também tem peso. Ora vejamos, os onze que vão ser eleitos agora vão ganhar mais de 6 mil reais cada um por mês. Juntando tudo, somam-se uns 70 mil por mês na folha de pagamento dos viventes. Mesmo assim, tem candidato que garante que o salário não vai cobrir a despesa que terá como vereador. Nesse caso, pedimos aos eleitores que não votem nos digníssimos sofredores, para que eles não tenham mais despesas com o povo.


E no campo de batalha uns caçam pokemon e os candidatos caçam eleitores. Mas é preciso conhecer a cidade e seus caminhos. Lá para o interior um candidato foi visitar o bairro de Nova Descoberta e quando se deu conta estava pedindo voto em Luiz Alves. Perdido, pediu ajuda para outra pessoa que também era candidato. Em troca da ajuda para voltar para casa, ele foi obrigado a prometer o seu voto para o outro. Sem contar aquele que visitou a casa do candidato do mesmo partido e ainda falou mal do cidadão.


Outro, que de tanto tempo que não visitava os eleitores, pegou a caderneta amassada e foi lá no cemitério. Andou fila por fila, olhando as fotos e os nomes e foi dando baixa na lista. No final, sobrou uma meia dúzia de nomes que também eram candidatos. O último dos 99 de que eu tive notícia, resolveu fazer uma chantagem emocional com o povo. Ameaçou de desistir da campanha para ver se tocava no coração da turma do deixa disso. Não demorou e começou a receber ligações de outros candidatos perguntando como faziam para desistir também.

Author: Gilberto CardozoEmail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
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