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PREAMAR
História de amor entre uma garotinha e a dança

-Começou quando as pessoas disseram: "Ah, que vontade de dançar!" - Eram mães que traziam os filhos pra fazer aulas. Eu falei: "Vamos dançar". E elas responderam: "Ah, não, eu não sei, eu não tenho jeito". Eu disse: "Vamos lá!"

E foram mesmo, sem supor que surgiria assim, desse jeito simples e determinado, uma iniciativa que ganharia palcos mundo afora, venceria o maior festival de dança de que se tem notícia e 22 anos depois estaria consolidada e reconhecida.

O leitor já sabe quem é a protagonista da história que a Preamar começa a contar nesta semana: sim, ela mesma, trata-se da professora Angelina Blahobrazoff, uma personalidade marcante e admirada pelo trabalho cultural que desenvolve à frente da Associação Parafolclórica surgida a partir daquele “Vamos lá!”.

A conversa com a professora Angelina é tranquila, ela fala com calma e algum sotaque, resquício da origem dos pais, Alexandre e Zoya, que fugiram da Rússia para o Irã no fim da década de 1920. Enquanto o mundo vivia sob o impacto do crack da bolsa de Nova Iorque, os dois foram viver uma história de amor. Seguiram sozinhos, é Angelina quem conta:

- Eles se juntaram e resolveram fugir, eram novinhos, a minha mãe tinha 15 anos e o meu pai, uns 19.

Zoya nasceu em 1914 e morreu em 2014 dez dias antes de completar 100 anos, conta a neta Kátia. Depois dessa informação adicional, dona Angelina retoma a narrativa:

- Eu nasci na Pérsia [atual Irã], em Isfahan [terceira cidade mais populosa do país], a 16 de fevereiro de 1947. Vivi lá assim, tudo bem, e quando tinha uns seis anos eu vim para cá, para o Brasil. Acredito que na época meus pais vieram atraídos pela propaganda de prosperidade que se fazia do Brasil no resto do mundo.

Corria a primeira metade dos anos 1950, tempo em que se renovavam as esperanças, e a família Blahobrazoff embarcou na promessa que a América representava, deixando para trás o Velho Mundo destroçado pela II Guerra.

- Nós viajamos bastante de avião e depois viemos de navio, descemos em Santos e fomos para São Paulo. Minha mãe teve uma filha que morreu logo, no Irã; depois mais duas filhas, um filho e eu: uma ficou no Irã, já era casada, o marido era importante na política, então ficou lá. Os outros vieram para o Brasil. [Entre Angelina e o irmão tem 11 anos de diferença – ela é a caçula]. Logo nos estabelecemos: minha mãe costurava, meu pai trabalhava em fábrica com mecânica. Nos adaptamos bem, aos poucos fomos falando a língua do país, eu gostava de tudo, não senti nada de dificuldade.

A pequena foi estudar em uma escola pública na capital paulista: - Minha irmã me levava, íamos a pé.

Não demoraria muito e uma escola diferente iria chamar a atenção daquela menina graciosa.

Confira a segunda parte dessa história em: Nascida para brilhar Parte II - Emerge a paixão

 

Jane Cardozo da Silveira
Author: Jane Cardozo da SilveiraWebsite: http://lattes.cnpq.br/6693654081890010Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Jornalista com especialização em Jornalismo e mestrado em Turismo, professora no Curso de Jornalismo da Univali. Autora de "Em busca da identidade perdida - subsídios para uma política integrada de comunicação em turismo cultural nos municípios de Penha e Piçarras"
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