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PREAMAR
Nascida para brilhar - parte 6
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Quem vê o grupo chegar e não o conhece, questiona: serão dançarinas aquelas mulheres maduras lideradas pela senhora que se apoia em uma bengala? Muitos duvidam. O estereótipo de um grupo de dança é diferente, em geral, está ligado à juventude. Mas a ala de veteranas da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff desafia o preconceito e o supera sempre, desde o fim dos anos 1990, quando a entidade começou a participar de festivais ainda com o nome de “Boa Forma”, porque era assim que se chamava a escola fundada pela professora Angelina.   

De lá para cá, sucessivos prêmios deram lastro a essas abnegadas mulheres que transformaram o “Boa Forma” na reconhecida Associação. A entidade, em um primeiro momento, denominou-se Afab – até o F, de Folclórica, ser substituído pelo P, de Parafolclórica, por uma questão técnica: o termo “folclórico” só pode designar um grupo que apresenta danças locais, da própria região; e como o grupo de Angelina centra suas coreografias no folclore russo, o conceito adequado para classificá-lo é o de “parafolclórico”, explica-nos Kátia Tomacelli, a figurinista da equipe.

Esses ajustes técnicos foram sendo exigidos à medida que o grupo se firmava e passava a participar de mostras e competições no Brasil e em outros países, desde a primeira viagem internacional, à Argentina, até a grande prova no Festival de Dança de Joinville. A professora Angelina se comove quando nossa conversa chega aí. E chora.

- Eu faço questão de a cada ano apresentar uma nova dança em Joinville, porque Joinville é a melhor coisa que tem, é o maior do mundo – ela fala com a voz embargada.  

A emoção aflora como um turbilhão, afinal, em Joinville, nossa protagonista viu consagrada a dedicação de toda uma vida: em 2009, no palco principal do evento, as integrantes da Apab receberam, extasiadas, o 1º lugar na categoria “Danças Populares – Conjunto Avançado”; e em 2016, quando o grupo ficou com o troféu do 2º lugar, Joinville entregaria a Angelina Blahobrazoff o prêmio de revelação como melhor coreógrafa.

O caminho até o lugar mais alto do pódio ela trilhara com perseverança desde a infância na capital paulista, passando por muitos palcos, redes de televisão, escolas, pessoas, sacrifícios, mudanças, até chegar às coxias do grande evento joinvilense, em que já alcançara antes dois terceiros lugares – 2004 / 2006 - e uma colocação em segundo lugar – 2007. Em 2018, outro troféu de segundo lugar juntou-se a este e ao obtido em 2016.   

Ainda em 2018, em outra competição - o Festival de Dança de Florianópolis – viria mais uma vitória:  o Prêmio Desterro, e o destaque da noite como melhor grupo. No ano anterior, em 2017, a Apab se classificara em segundo lugar na capital do estado e Angelina recebera a “Honraria Albertina Ganzo”, “pela contribuição do seu trabalho à área da Dança em Santa Catarina”.  Acrescentamos: em Santa Catarina e no mundo, porque em nossa próxima postagem vamos relembrar a carreira internacional da Professora Angelina à frente da Apab.

Até lá.

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Jane Cardozo da Silveira
Author: Jane Cardozo da SilveiraWebsite: http://lattes.cnpq.br/6693654081890010Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Jornalista com especialização em Jornalismo e mestrado em Turismo, professora no Curso de Jornalismo da Univali. Autora de "Em busca da identidade perdida - subsídios para uma política integrada de comunicação em turismo cultural nos municípios de Penha e Piçarras"
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