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Nascida para brilhar - parte 4

As artes transportam o ser humano a uma dimensão tão elevada e tão distinta, que às vezes chegamos a considerar os artistas a salvo das mazelas cotidianas. É como se, ao nos brindarem com sua arte, eles devessem permanecer indeléveis para todo o sempre. Mas, não é assim que as coisas funcionam. Nos bastidores, até mesmo aquelas pessoas talentosas que tanto admiramos podem ter, de repente, a saúde arrebatada por um mal súbito.

Foi o que aconteceu com nossa protagonista, Angelina Blahobrazoff, quando há cerca de 20 anos ela sofreu um acidente vascular cerebral. A notícia chocou a comunidade que já então havia se acostumado a vê-la ágil e esguia a deslizar nos palcos ao ritmo forte da música russa. Contudo, nossa bailarina não se deixou abater; ao contrário, apoiada pela família e pelos muitos amigos, mostrou uma força de vontade que a fez recuperar-se em tempo recorde:

- Um mês depois eu já estava dando aula, a vontade facilita a recuperação – ela afirma.

Um segundo AVC viria desafiá-la mais uma vez doze anos atrás. Era preciso, de novo, recomeçar, e Angelina não titubeou, ao contrário, encarou aquela batalha com a fibra que a caracteriza desde menina:

- No comecinho, eu dei aula sentada em uma cadeira de rodas, eu não andava. Depois, com a fisioterapia, fui melhorando, até não precisar mais da cadeira.

A fisioterapia ela faz até hoje:

- Primeiro, eu tinha que pedir [ao serviço público municipal de saúde] toda vez, depois me deram licença para fazer sempre, porque eu não posso parar com a fisioterapia.

Hoje, Angelina ministra aulas às terças e quintas, às 8h30min, na Academia da Saúde, que é mantida pelo município na Avenida Getúlio Vargas (Centro de Balneário Piçarras). Também recebe turmas na escola que funciona na própria casa, às segundas e sextas pela manhã, e às terças e quintas à noite. Trabalha ainda com Reiki (terapia natural de energização, equilíbrio e autodesenvolvimento).

Como se vê, a professora dançarina está mais ativa do que nunca. A paixão pelo que faz é o motor que a impulsiona e a leva a empreender grandes viagens, inclusive aquela que a transportou de volta a suas origens, à pátria dos seus pais:

- Fui à Rússia para dançar há 10 anos, eu não conhecia – ela conta – referindo-se a uma das várias apresentações internacionais do grupo que fundou, hoje registrado e reconhecido sob a sigla Apab – Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff.

Mas a Apab é um capítulo à parte, dada à importância de que se reveste, e essa história a professora Angelina vai nos contar em nossa próxima semana.

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