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A Preamar apresenta aos leitores um breve registro da história de José Inácio de Souza Filho

Entre as famílias mais antigas e conhecidas no município de Penha estão os Souza. O patriarca José Inácio de Souza era natural de Gaspar, nasceu no interior do município e do lugar onde se criou lhe veio o apelido: Campina. Por conta disso, a vida inteira seria chamado de Zé Campina, ele e seus descendentes. Em Escalvados, casou-se com Maria e, mais tarde, já residindo em Penha, o casal viu crescerem os filhos Carminha, Nezo, Branca, Juca, Elza, Didi, Antônia e Lincilda.

Nesta edição, a Preamar traz aos leitores um registro breve da história de um desses descendentes: José Inácio de Souza Filho, o Juca. Herdeiro do nome do pai e de suas habilidades para a lida no campo, aos sete anos já montava a cavalo:

Ninguém precisou ensinar – frisa o nosso entrevistado que, em busca de tropas, percorreu junto com o pai as estradas catarinenses serra acima em direção a Lages e Curitibanos. - Levava oito dias só pra chegar ... Eu nunca tive medo de nada, não tinha tamanho de boi, eu enfrentava, laçava. Meu pai era um domador que não tinha igual. Gente de toda parte vinha trazer cavalo pra ele domar – fala com nostalgia, o olhar focalizado no passado.

Na infância vivida na Penha Juca foi aluno da professora Benevenuta Flores, a dona Nuta; lembra-se também de outra mestra, dona Horacina, e diz ter sido um estudante aplicado que aprendia rápido.

O pai é muito bom em matemática – destaca a filha Marly Célia em meio a nossa entrevista. Frente a essa observação, ele recorda uma ocasião em que as filhas, estudando em Itajaí, defrontaram-se em aula com um problema de difícil solução, vieram para casa com a tarefa por fazer e quem decifrou o enigma foi o pai. Sem precisar de papel e lápis para fazer cálculos porque resolvia tudo “de cabeça”.

Na trajetória deste nosso protagonista junta-se à vida campeira e à matemática uma outra paixão: a Política. Na idade adulta, ele se perfilaria entre os aliados ao Partido Social Democrático, que tinha como antagonista direto a União Democrática Nacional. De 1945 até 1965, ano em que os partidos foram extintos pela ditadura militar e substituídos por Arena e MDB, eram PSD e UDN as siglas que disputavam voto a voto o poder na região.

Nessa época, e mesmo depois de aliar-se à Arena, Juca esteve várias vezes no centro de contendas em época de eleições por causa especialmente da escrutinação naquele tempo de votos em papel, tendo figurado por muitos anos entre as principais lideranças políticas de Piçarras, onde passou a residir com a esposa, Rosalina Gonçalves, a dona Rosinha.

Ela, uma mulher à frente do seu tempo, foi professora pioneira na escola do Rio Furado, estabelecimento que daria origem ao atual “Monteiro Lobato”. No entanto, o contexto político em que se confrontavam UDN e PSD somado ao nascimento dos filhos a levou a encerrar precocemente a carreira no magistério. Passou então a dividir-se entre a casa, o cuidado com os filhos, a criação de animais, algum plantio, tudo isso no Bairro Santo Antônio. Mais tarde, dona Rosinha também compartilhou com o marido as tarefas exigidas para manter aberto o açougue que eles tiveram no centro da cidade, no prédio em que originalmente havia funcionado o Hotel Tropical, em frente à Casa Fleith e bem perto do Salão Copacabana.

O “Copacabana” proporcionava alguns – raros – momentos de lazer ao casal, quebrando uma rotina extenuante de trabalho que só era interrompida por mais tempo para o cumprimento de rituais de fé como a Festa do Divino Espírito Santo na Penha. Mas isso é assunto para nossa próxima semana.

Até lá!

 

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