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Yukaline - Conecta você.

Na edição passada, acompanhamos Antônio Luiz Silvestre em São Paulo, onde conheceu Tonico e Tinoco e recebeu deles um valioso presente. Veja o que se passou depois

- Peguei a viola que eu ganhei deles e trouxe. Cheguei em Blumenau e aí o meu irmão, José Luiz, o Zeca, queria também. Eu comprei uma na Casa Flesch em Blumenau. Comprei a prestação e nós começamos a cantar. Cantei na PRC 4 com meu irmão. Um apresentador de um programa sertanejo foi quem convidou: chamava-se Tangará, ele cantava com duas filhas. Depois nós ficamos cantando na Rádio [a PRC4, de 1932, é considerada a emissora mais antiga de Santa Catarina]. Blumenau naquela época não tinha nada, só a Alameda Rio Branco, um pedacinho com asfalto; tinha o Cine Busch; o Guilherme Busch [Jr.] era o prefeito.

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A dupla ficou conhecida como “Os Irmãos Silvestre”. Abastadas famílias alemãs começaram a contratá-los para cantar nas casas deles:

- A gente ia, tudo de graça, tudo festa.

Porém, essa escalada de sucesso seria interrompida subitamente:

- Acontece que o meu irmão ficou doente. O cardiologista disse que não ia ter cura; começou em criança com asma e isso dilatou o coração dele. Com 28 anos, Zeca morreu [tal como a mãe previra quando eles eram pequenos].

Aí se desfez a dupla:

- Foi muito doloroso pra mim, eu senti muito. Não consegui meu sonho.

Depois dessa perda, tudo mudou. Na mesma época, o pai de Antônio também morreu. Um pouco antes, Tonho havia se separado de Doraci, a primeira esposa, com quem vivera por cerca de dois anos e adotara uma menina.

Contudo, ele não se separou da viola. Só que agora não tinha uma carreira musical pela frente. Passou a se apresentar sozinho, muito raramente em dupla. Já em Terno de Reis, cantou muito. E fez uma promessa:

- Não cobrar nada pelas minhas cantorias, porque recebi o dom de graça.

O dom inclui fazer as composições: letra e música.

No comecinho da década de 1960, Tonho casou-se com Irma, das famílias Gruner e Borba. Ela tinha 25 anos; ele, 32. Irma faleceu em novembro de 2016. Foram 54 anos de vida em comum desde o dia em que se encontraram na praia de Piçarras e sentiram um pelo outro amor à primeira vista. Nesse tempo, Antônio trabalhava em Joinville. Fez o pedido de casamento e levou a moça para morar com ele em 1º de novembro de 1962. Cerca de três meses depois, recebeu dela a notícia com que vinha sonhando há tempos: ia ser pai.

Feliz da vida, resolveu voltar a suas origens: pediu a conta da firma e retornou a Piçarras, onde o casal criou o filho único, Luiz Antônio, enquanto o pai trabalhava como pescador, caseiro e agricultor. Mas, até hoje, o que o apaixona mesmo?

- O que eu mais gosto é cantar.

A resposta vem rápida e seguida das lindas canções que seu Antônio compõe e entoa com visível satisfação e profundo sentimento.

A primeira delas é um ato de gratidão a Deus pelo que recebeu da vida: a companheira Irma, o filho Luiz Antônio, a nora Terezinha (descendente dos Flores, a mesma família que ajudara os Silvestre no passado) e o neto craque em futebol, Mateus, motivo de muita alegria para o avô. A música chama-se “Minha Prece na Viola”. Com a primeira estrofe dessa canção, encerramos a série protagonizada pelo grande violeiro Antônio Luiz Silvestre:

“Como é linda a natureza quando vem rompendo o dia, o cantar do passarinho, sua linda melodia. Eu pego no meu rosário, faço uma Ave Maria, para agradecer a Deus por me dar mais este dia...”

Até a próxima!

Jane Cardozo da Silveira
Author: Jane Cardozo da SilveiraWebsite: http://lattes.cnpq.br/6693654081890010Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Jornalista com especialização em Jornalismo e mestrado em Turismo, professora no Curso de Jornalismo da Univali. Autora de "Em busca da identidade perdida - subsídios para uma política integrada de comunicação em turismo cultural nos municípios de Penha e Piçarras"
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