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Chegamos à terceira parte da história de Antônio Luiz Silvestre, nosso protagonista da vez. Neste episódio, ele se apresenta ao Exército, pede baixa antes do tempo e começa a viver um sonho.

Antônio serviu no 23º Regimento de Infantaria em Blumenau. João Flores, filho do casal Juca e Doca, que tanto havia ajudado a família Silvestre, chegou a se alistar na mesma época nesse regimento e foi dispensado. Seu Antônio ficou, mas não completou o ano porque brigou com um cabo.

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- Eu sempre fui muito esquentado. Mas quando o sangue esfria, passa tudo.

A briga teve origem quando, em uma operação de arrastamento pelo chão exigida para vestir a farda, o jovem soldado Antônio ergueu o rosto para se livrar de uma poça d’ água. O cabo, com um dos pés, empurrou a cabeça dele contra a poça e, irritado, Antônio disse que ia se vingar. Resultado: o cabo o desafiou para uma luta.

O soldado raso teve que aceitar:

- Eu era ligeiro, magrinho, era bom no rabo de arraia.

Só que o cabo apareceu com dois pares de luvas e exigiu que fosse uma luta de boxe. Na primeira investida, Antônio levou um soco no rosto, não sabia o que fazer para se defender. Até que tirou as pernas do adversário do chão com um golpe certeiro e ... pra encurtar, ficou detido no quartel. A essa altura, dona Maria Balsini, da família que praticamente o havia adotado, interveio e conseguiu que um major concedesse ao soldado a ordem de soltura. Antônio aproveitou para pedir a baixa. Teve medo de ser perseguido pelo adversário.

Voltou para a casa de seu Conrado Balsini e continuou a viver em Blumenau pelos anos seguintes, tendo conseguido emprego de aprendiz de pedreiro na Prefeitura local. Até que um dia regressou a Piçarras: 

- Meu pai já tava velho, tava doente, eu vim cuidar dele.

Em Piçarras, conheceu dois pedreiros: os irmãos Campolino e Osvaldo [Vadico] Teixeira [por sinal, meus tios e padrinho]. Com eles aprendeu a fazer fogão a lenha daqueles revestidos de vermelhão, com forno e tudo.

- Naquele tempo não tinha fogão a gás, então, este era um serviço muito importante. Fiquei muito amigo dos dois.

Em Blumenau, Antônio conheceu Tonico e Tinoco: " a maior dupla caipira de todos os tempos" (Foto: Arquivo | BrasilCowboy)

Também em Piçarras ele iria conhecer a grande companheira da sua vida. Foi em 1962.

– Aí eu já tava em Joinville, porque eu andei por tudo, eu gostava muito de cantar, o meu sonho era cantar e tocar viola, desde menino. Eu comecei na viola escutando Tonico e Tinoco, a maior dupla caipira de todos os tempos. Ouvia no radinho de pilha que eu ia escutar na casa dos vizinhos; depois na casa dos Balsini. Eu conheci Tonico e Tinoco no “Carlos Gomes” em Blumenau, quando eles fizeram um show. Cantaram de graça. Cantavam só em circo naquela época, mas vieram no Carlos Gomes. Fiquei emocionado. Eu sabia tocar um pouquinho a viola, o violão, e fui falar com eles. Disse pro Tonico: de vocês dois, quem faz a primeira voz? O Tinoco disse: - Sou eu. – Então, Tonico, vamos cantar uma moda tua, nós dois, me dá a tua viola. “Rio Pequeno”, canta comigo? Eu faço a primeira voz pra ti. Aí fizemos, Tinoco tocou na viola (porque o Tonico tocava violão):

“Eu arriei meu cavalo quando tava escureceno Pra roubar uma moreninha da banda do Rio Pequeno Eu cheguei na casa dela meia noite mais ou meno Ela já tava esperando nas hora que nóis marquemo O seu cabelo briava, moihadinho de sereno ...”

Nunca me esqueço. Depois dessa conversa, eles queriam me levar pra São Paulo. Cheguei a ir me encontrar lá com eles, mas foi de passagem, porque eu tinha de tratar do meu pai. Por isso eu não fiquei lá. Me deram todos os livrinhos de música deles, e me deram uma viola de presente. Eu não tinha uma, tocava num violão que era do meu pai, mas o meu sonho era aquela viola de 10 cordas.

Da viola, Antônio faria bom uso, como o leitor vai descobrir na próxima edição.

 Até lá!

Jane Cardozo da Silveira
Author: Jane Cardozo da SilveiraWebsite: http://lattes.cnpq.br/6693654081890010Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Jornalista com especialização em Jornalismo e mestrado em Turismo, professora no Curso de Jornalismo da Univali. Autora de "Em busca da identidade perdida - subsídios para uma política integrada de comunicação em turismo cultural nos municípios de Penha e Piçarras"
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