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Entre essas pessoas figuram, com certeza, os libaneses, a quem mencionamos na semana passada e de quem voltamos a falar agora. Afinal, pertencia ao libanês Nakle Francisco o famoso Salão Copacabana. A iniciativa pioneira de Nakle foi um sucesso. Em plenos anos dourados, o Copacabana era o ponto de encontro da sociedade local. Seu proprietário e todo o núcleo libanês radicado na região haviam conseguido conquistar a América. Em menos de 30 anos, tinham passado de imigrantes esperançosos a corajosos empreendedores. E sua nova terra os reverenciava. 
 
Para se ter uma ideia de como os libaneses estavam adaptados e foram aceitos pela comunidade brasileira (os Abrahão se fixaram em Penha), deve-se registrar que o desaparecimento precoce de Nakle Francisco, aos 45 anos de idade, num acidente de motocicleta ocorrido a 12 de fevereiro de 1958, causou comoção geral na cidade. A filha Selma relembra a tragédia com tanta tristeza na voz e no olhar que é como se estivesse, de novo, vivendo aquele momento: “O meu pai, ele era tão querido, carinhoso. Nunca exigiu que nós nos casássemos com descendentes, nem com primos. Quando ele morreu, foi uma das únicas noites em que o seu Amadeu não desligou o motor que fornecia a luz.” 
 
 
Isso era um marco para a localidade, que, à época, tinha seu fornecimento de energia elétrica garantido por motores cujo funcionamento era controlado por Amadeu Ebiner. Esses motores eram da Companhia Força e Luz e ficavam ligados, normalmente, só até um pedaço da noite. Por causa do velório de Nakle Francisco, eles permaneceram ligados garantindo luz elétrica a noite toda.  
 
Tradição mantida 
 
A completa assimilação dos libaneses pela sociedade local não apagou, contudo, a cultura trazida de além-mar. Um grande apego e uma forte ligação com a família caracterizam o comportamento dos descendentes e aparecem entre as reminiscências contadas por dona Selma: “A gente chamava para a vó de Dindinha e para ele [o avô] de ‘Gidi’ – ‘Gidi’ era marido. A Dindinha costumava dizer assim para nós (fala, carregando no sotaque): ‘Dindinha sentiu muito morte de ‘Gidi’, mas a de papai ,...’ .” Ao rememorar essa passagem, Selma faz um gesto como o que era feito pela avó, levando as mãos ao coração e ao ventre para indicar a dor profunda que a matriarca Rita sentira ante a perda de Nakle, seu filho mais novo.
 
Nos anos dourados da década de 50, a praia de Piçarras servia de moldura ao próspero comércio libanês (Arquivo de Alcina Figueredo)
 
Selma Francisco, suas irmãs (as saudosas Rita e Sérue), as primas e até as esposas de seus primos (nem todas descendentes de libaneses, visto que muitos deles se casaram com moças da localidade) conservam alguns costumes e tradições dos antepassados, principalmente na culinária: o kibe, o tabule, por exemplo, são especialidades nas quais ninguém se compara a elas. “Tem segredo até para fritar”, confidencia o marido de dona Selma, Renato Wunderlich. 
Outros segredos também foram passados de uma geração à outra: “Ela [a vó Rita Francisco, que ficou conhecida como “Dona Rheia”] tinha uma tradição do Líbano que ensinou para nós. Quando a mulher estava grávida, falava com ela e já sabia se era um menino ou uma menina. E eu, se vier perto de mim, eu sei também, ela me ensinou. E aprendeu lá”.
 
Miguel João Francisco - patriarca da família – que o leitor conheceu na semana passada como o proprietário de um grande armazém atacadista de secos e molhados na ponte da Parada, foi igualmente uma figura marcante. Seu sotaque carregado e a veia de comerciante marcaram época. A ele, que cruzou os mares deixando para trás a terra natal para abraçar uma terra desconhecida, a seus parentes e descendentes que ajudaram a erguer nossas comunidades, o reconhecimento desta colunista. 
 
Até a próxima!
 
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