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O prefeito joinvilense  Geraldo Wetzel: amigo do peito do prefeito de Piçarras, Bebé Pinto

 

As jornadas de Emanoel Pinto

 

Antes de abrir e circular pelas estradas locais em sua caminhonete e num velho jeep, o primeiro prefeito eleito de Piçarras, Emanoel (Bebé) Pinto já havia riscado este chão com outros veículos: a charrete de passeio que ostentava um belo pelego branco e a carroça do serviço, para as quais contava com três cavalos. Tinha ainda o “Rosilho”, um belo potranco de corrida, mas este só para cavalgadas, algo que por sinal ele fazia muito bem.


Em suas terras, nos pastos às margens da Rua Alexandre Guilherme Figueredo, mantinha criação de vacas leiteiras e de ovelhas. Tinha ainda roças de cana que serviam para tratar os animais. No enorme quintal atrás da casa-venda à beira-mar também fazia outras criações: havia perus, galinhas, marrecos... Para trazer tudo em ordem, contava com empregados de confiança, como Valinho, João e Raul Pereira.

 

- O Raul trabalhou com meu pai por mais de 30 anos – destaca a filha mais velha, Léa. - Era compadre, amigo, irmão, o braço direito dele. Uma pessoa da mais absoluta confiança. Ele ajudava em tudo. Eu me lembro de uma vez, quando eu tinha uns sete anos, o Raul ficou cuidando de mim para eles irem a um baile. Eu não queria ficar em casa, pedi pra ir ao baile e não deixaram. Aí, depois que eles saíram, eu incomodei tanto! Cheguei a botar fogo no meu pé. O Raul teve que acudir, fez até uma atadura, e só dizia: - Léa, vai dormir, tás muito levada -.


Raul era um trabalhador incansável e não parava nunca. Assim como seu Bebé, que estava sempre ocupado com alguma tarefa. No tempo da caminhonete, fazia muitos carretos, principalmente quando o assunto era saúde. Incontáveis vezes ele levou gestantes à maternidade, em Itajaí ou Joinville, ou trouxe a parteira até a casa da gestante, antes mesmo da instalação de maternidades na região.


Léa lembra uma ocasião em que ele chegou às pressas em casa e pediu à esposa, Laura, que o ajudasse numa dessas viagens: - A mãe não tirou nem o avental, embarcou no carro do jeito que estava porque ele disse que não dava tempo -.

 

Bebé também prezava muito o lazer. Ele gostava de ir a festas e de dançar. Entre as festas, apreciava especialmente a do Divino Espírito Santo, na Penha, da qual era empregado e chegou a ser candidato a imperador.

 

- A vaga tinha sido concedida por um grande amigo dele: Alírio Pinto (de Penha) -, informa o genro Oscar Ribeiro Filho.


Embora muitos leitores da Preamar conheçam o sistema de escolha do imperador nesta região, convém abrir parênteses para explicar o assunto àqueles que ainda não sabem como funciona. É assim: a Igreja Matriz da Paróquia mantém uma lista com 12 nomes de candidatos. De acordo com a tradição, cada vez que um deles é sorteado, o novo imperador tem o direito de apresentar um outro nome para recompor a lista.


Infelizmente, Emanoel Pinto não chegou a ser sorteado. Quando ele morreu, em maio de 1974, a família devolveu a vaga para seu Alírio e, junto com ela, presenteou-o com um carneiro. O melhor do rebanho, conforme Bebé havia prometido ao amigo.

 

Amizades sempre foram parte fundamental na vida de seu Bebé e em sua atuação política. Por intermédio dos muitos amigos que fazia com facilidade, ele vencia obstáculos e conquistava metas. Em contrapartida, sabia como ninguém retribuir as atenções que lhe eram dispensadas. - O primeiro abacate colhido no quintal ia para o seu Geraldo Wetzel-, conta Léa.


Neto de um pioneiro fabricante de velas e sabão, o joinvilense Geraldo Wetzel foi prefeito da cidade natal em 1957 e secretário de estado da Fazenda entre 1961 e 1962 (fonte: http://www.sef.sc.gov.br).

 

- Um dia, seu Geraldo bateu lá em casa e perguntou para o meu pai: - Bebé, tens dinheiro no bolso? -. A pergunta pegou meu pai de surpresa! Sem entender o que se passava, ele respondeu: -Tenho. - Aí, seu Geraldo retrucou: ... -.


Mas esta história fica para a próxima edição.


Até lá!

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