Painel

Turismo e Educação, em uma época de parcos cruzeiros, foram áreas nas quais o governo de João investiu

 

A Ponte da Parada – entre Piçarras e Penha – tem muitas histórias, algumas delas de cunho trágico, como a lembrada por João Santos Vieira e que deixamos no ar na edição passada

 

O episódio veio à memória do nosso entrevistado enquanto ele falava sobre o fato de não haver ambulâncias disponíveis para a população local na década de 70.

Naquele momento, recordamos o acidente trágico que tirou a vida de um filho do sr. Badico Liseu, antigo morador do Rio Furado. O rapaz feriu-se gravemente quando bateu a cabeça ao mergulhar da ponte e foi levado ao hospital pelo prefeito, que nessas horas fazia papel de motorista e até mesmo de socorrista. Outros tempos.


Numa época em que era difícil atender, mesmo às necessidades mais básicas, o governo do prefeito João Santos tomou uma iniciativa ousada: investiu na divulgação do município como destino turístico. Pela primeira vez na história local, instalaram-se placas de propaganda da praia na entrada da cidade. Seu João descreve: “Na entrada da Avenida Getúlio Vargas tinham dois painéis de 48 metros quadrados cada um, em madeira, neles estava escrito: “Piçarras, terra de sol e mar. Fazemos amigos. Visite-nos.” Isso em 1970. E hoje não tem um painel grande desses”.


Na praia, foram construídos em alvenaria novos bancos que vieram se juntar aos já existentes; alto-falantes distribuídos ao longo da orla animavam a temporada com música ambiente. Também é dessa época a presença dos primeiros salva-vidas, um grupo de cinco ou seis, contratado pela prefeitura. Outro dispositivo de segurança eram as boias colocadas a cada 100 metros ao longo da faixa de areia, presas a estacas de madeira e encimadas por uma placa onde se lia: “Em caso de emergência, use a bóia”. Nesse período, a beira-mar também recebeu mudas de coqueiro: “Eu mandei buscar um caminhão de coqueiro na Bahia”, relembra o ex-prefeito. A plantação não vingou. No entanto, como testemunho dessa iniciativa, restou um, que pode ser visto hoje na descida da Avenida Getúlio Vargas.


“A dificuldade da prefeitura naquela época era muito grande - testemunha seu João – tanto que os vereadores não recebiam nada, eles trabalhavam por amor ao município. Uma pessoa que me ajudou muito foi o falecido Victor Zimmermann [empresário do ramo imobiliário]. Ele foi um dia na prefeitura e falou comigo: “Seu João, o senhor quer uma força? Eu não sei como o senhor tá dando conta, sem dinheiro. O senhor pede pra Belita [Isabel Flores, funcionária pública municipal] a relação dos contribuintes de Blumenau, de Jaraguá, que eu vou fazer uma visita pra eles, tenho muito conhecimento nessas cidades, e vou buscar dinheiro pro senhor.” E ele cansou de fazer isso, me ajudou muito nessa parte, porque não tinha de onde tirar”.


Assim mesmo, era preciso seguir. Afinal, um grande desafio se apresentava em área essencial, a da Educação. Seu João conta: “As escolas do estado estavam em estado precário. E também tinha comunidade sem atendimento. Aí eu fui lá em Rio Novo fazer uma reunião; o meu desejo era implantar uma escola ali. Cheguei lá, um cidadão se levantou e disse: - Olha, seu prefeito, a escola só sai se for perto da igreja. - Eu respondi: Vocês tão misturando as coisas, religião com educação. Cada um no seu lugar; nisso, outro cidadão levantou e disse: - Eu tenho um terreno, vou lhe doar. - Só que era um terreno do Incra, não tinha como desmembrar, e assim mesmo a escola foi construída. Com dinheirinho da prefeitura, porque ninguém conseguiu nada do estado.”


O restante da rede, no entanto, continuava a exigir melhorias. A prefeitura precisava fazer alguma coisa. Então, algo inusitado aconteceu. Acompanhe a história na voz do administrador municipal que a protagonizou: “Um belo dia, eu fui convidado pra ir a Gaspar em um almoço com o comandante do 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau. O comandante Jacinto queria falar a respeito da implantação da Aciso nos municípios”. [Aciso era a sigla para Ação Cívico-Social, um programa do governo militar que envolvia o Exército Brasileiro]. Nesse ponto, seu João se emociona, e é com a voz embargada que ele continua a falar. Tamanha foi a importância da Aciso para Piçarras que isso será assunto para nossa próxima edição.


Até lá!

  • 1
X

Right Click

No right click