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Solenidade de posse em 1º de janeiro de 1970. Mandato iria até 1972

Nesta edição, o segundo prefeito eleito de Piçarras mostra a ação política sob outros ângulos

Em nossa viagem no tempo, interrompemos a Preamar em 1970, quando o então prefeito João Santos Vieira começava a contar como Piçarras ganhou postos de saúde e de telefonia, ambos no prédio da Prefeitura. Retomando a narrativa, seu João relembra primeiro a instalação da pequena unidade sanitária: “Depois da sala toda pronta, chegaram alguns equipamentos e muitos remédios. A caminhonete da Prefeitura veio de Florianópolis carregadinha de medicamento. Mas ficou faltando um médico. Tentei em Itajaí, só que não deu certo. Foi aí que o Dr. Luiz surgiu, ele veio na minha porta e ficou no posto”.


Dr. Luiz – é ele mesmo. Luiz José de Almeida Fayad instalou-se no município naquela época e botou o postinho pra funcionar. De acordo com João Santos, a prefeitura contratou uma atendente para auxiliar no trabalho – Cecília Máximo.


Além dela, mais três funcionárias foram admitidas para os novos serviços de saúde e de telefonia: Estelita Baltt, Ivanete Vieira e Maria Olivete Ramos Rodrigues, a Quica.


Ponte e Avenida
Com esses projetos executados, o prefeito João Santos Vieira voltou suas atenções para outra questão: “Quando assumi a prefeitura, a ponte de Santo Antônio já tinha causado sete acidentes. Eu não sei como é que passava gente ali. A estrutura era bem precária, feita de umas tábuas atravessadas. Eu fui falar sobre isso com o governador Ivo Silveira umas tantas vezes, mas não houve meio. Até que um dia cheguei na capital pensando assim: se hoje eu não arrumar nada, não boto mais meus pés aqui. Aí eu disse para o Ivo Silveira: Governador, o senhor não quer fazer o convênio com a Prefeitura e o município sozinho não pode. Talvez porque o senhor seja Arena e eu MDB. Só que eu nem pensava em ser político e me lembro de um comício que teve em frente à minha casa. O senhor tava fazendo a campanha pra Emanoel Pinto (o seu Bebé), meu compadre, que entregou o cargo pra mim, e lá o senhor disse: “Olha, eu vou ajudar a carregar a cruz do Emanoel Pinto quando ele assumir a prefeitura, assim como eu carreguei quando fui prefeito de Palhoça, porque ser prefeito é carregar uma cruz”. Depois dessa conversa, Ivo Silveira fez o convênio.


“Quando a ponte saiu, eu tava olhando pra BR 101. Eu digo: eu tenho que abrir essa avenida [a Getúlio Vargas] até a BR-101, porque seria um pecado não fazer isso. Convidei o Ervino [o então vereador Ervino Weiss] e o José Carreno [agrimensor francês que residia em Piçarras] para ir falar com Brás Amândio [de Borba], o proprietário da maior faixa das terras necessárias pra abertura da avenida. Ofereci 5 milhões de cruzeiros e pedi que ele pensasse na proposta: passar a estrada no meio do terreno, fazer a planta com lotes do lado direito e esquerdo da avenida, instalar tubulação pra drenar. Ele ficou de pensar. Na outra semana, fui lá, não deu negócio.


Passados uns 15 dias, conversamos de novo: combinei com ele de fazer a lei, de irmos juntos a Itajaí falar com o advogado, o dr. Abrãozinho [Abrahão João Francisco] pra ajudar a gente a escrever o documento. No outro dia, peguei o meu carro - naquele tempo eu tinha uma Rural – e cheguei na casa dele pra gente ir falar com o advogado. Mas ele tinha desistido do negócio. Então fui sozinho, o dr. Abrãozinho bateu o documento, a Câmara de Vereadores aprovou uma lei, foi depositado o dinheiro e o juiz da Comarca de Itajaí emitiu a Prefeitura na posse do terreno”.


Ao mesmo tempo, as áreas pertencentes a outros donos também iam sendo desapropriadas. Finalmente, a avenida estava aberta. E com 14 metros de largura: “Hoje, tem 12 metros, diminuiu a faixa”, reclama seu João, enquanto confirma o quanto é difícil governar.


Sem ambulância
Neste ponto, a esposa - Isaura - intervém, lembrando que ela própria transportava pessoas para Itajaí: “Não tinha ambulância naquela época, uma vez quase que um neném nasceu dentro do meu carro.”


O prefeito, ele mesmo, também levava pessoas para o hospital no próprio automóvel [agora uma Belina]. Uma vez, precisou carregar um moço gravemente ferido.
Mas esse é um assunto para a semana que vem.


Até lá!

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