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Parte sul da praia de Piçarras no início da década de setenta, quando João Santos assumiu a Prefeitura

 

João Santos Vieira começa a revelar como um garoto da beira-mar chegou a principal líder da comunidade

 

Nesta semana, retomando o resgate das memórias do ex-prefeito João Santos Vieira, deparamo-nos com uma praia de Piçarras pontuada por muitas canoas de pesca. Cada uma pertencente a pescadores que trabalham em duplas, de parceria. Uns poucos, no entanto, preferem pescar sozinhos: é o caso de Joaquim Bernardo, do irmão dele, Manoel; de Antônio Gonçalves, Romualdo Galdino e Antônio Nicolau. Para completar o cenário, vemos todos eles morando à beira-mar. Mas a paisagem vai aos poucos esmaecendo enquanto a voz de nosso entrevistado lança-nos de volta aos tempos atuais:


“Antes, a beira da praia era habitada por esses pescadores todos, mas eles foram vendendo e saindo”. Deram lugar aos primeiros veranistas: o médico paranaense Norberto Bachmann; um alemão de sobrenome Schmitlin, da época da 2ª Guerra Mundial; o doutor Bahia (José Bahia Bittencourt, médico em Florianópolis).


A essa altura, a esposa de seu João - Isaura - lembra que quando eles se casaram, em 02 de abril de 1960, já moravam por aqui o doutor Afonso Balsini, Aquiles Balsini; e o doutor Albano Schultz.


Dona Isaura veio de Barra Velha, mais precisamente de São João do Itaperiú, da família Bernardes por parte de mãe, enquanto o pai era de Camboriú velho. Isaura conheceu João quando se mudou para a Penha, em um baile no salão do Vítor Nilo, em frente à antiga Companhia de Pescados Krause. Vítor Nilo foi delegado de polícia no município e, por mais inusitado que pareça, também embalava um ou outro sábado ao ritmo de “Os Foliões”, conjunto musical de Itajaí dos mais afamados à época. No entanto, o salão do Vítor não chegava a ameaçar a hegemonia do “Estrela do Sul”; este sim, comandado por Quinca Ludo, um ponto de encontro frequente da juventude local nas décadas de 50 e 60.


Por esse tempo, o garoto curioso que remexia a caixa de ferramentas do inventivo Joaquim Bernardo havia ficado no passado. Já moço, João Santos ainda não sabia, mas os anos sessenta lhe reservavam uma surpresa: quando a década terminasse, ele seria conduzido pelo voto direto ao cargo de prefeito do munícipio.


Assumiu o mandato em 1º de janeiro de 1970, sem jamais ter sonhado com o feito: “Eu nunca pensava em ser um político, quanto mais um prefeito”, reflete. Então, começa a remontar a inesperada trajetória: “Um dia nós fomos levar o meu filho, Zé, pra batizar lá em Navegantes. Ali, o compadre José Andrade me disse: - Olha, vamo na praia que deu um barco hoje. Ele perdeu-se na cerração e deu na praia com umas 15 toneladas de sardinha. - A embarcação se chamava “São Nicolau”. Enquanto eu olhava o barco, chegou aquela pessoa: - O senhor é o seu João Santos? Eu sou o Delfim (Delfim de Pádua Peixoto Filho, advogado em Itajaí; foi vereador, deputado estadual de 1971 a 1983; é presidente da Federação Catarinense de Futebol desde 1985). O interlocutor prosseguiu: - Eu quero ir na sua casa pra conversar, vamos ver se formamos o MDB lá em Piçarras. – Depois de umas duas semanas ele chegou aqui em casa. Eu disse: “Olha, vamos ter de sair de casa em casa. E naquela época era difícil, porque o MDB era tachado de comunista, vermelho, tempo de ditadura. Eu convidei o falecido Antônio Lageano; saímos de porta em porta e fundamos o partido. Isso em 1968”.


Daí até a posse em 1970, muito mais gente vai entrar na história. Mas isso é assunto para a semana que vem.


Até lá!

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