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Mapa espanhol de 1776: invasão da Ilha de SC deu início ao povoamento de Penha e Piçarras

Conforme prometi no texto de estreia da Preamar, nesta semana retomo a história das povoações de Penha e Piçarras, já que o assunto despertou o interesse da comunidade.  Vamos, portanto, viajar de volta ao século XVIII, época em que o litoral Sul do Brasil estava no centro das atenções, agora não só porque era estratégico tomá-lo efetivamente e assim garantir a posse do vasto continente para Portugal, mas também por causa da abundância de baleias na região. 

José Ferreira da Silva na obra História do Município de Penha relata que a caça à baleia já era praticada pelos portugueses em outras partes do mundo, dentro de um regime de monopólio estatal. Assim, em 1741, a Coroa negociou com comerciantes de Lisboa a concessão dessa atividade em Santa Catarina. Aos concessionários, representados por Tomé Gomes Moreira, coube erguer a estrutura própria para a manipulação da baleia – a chamada armação – em Piedade, localidade situada no continente em frente à Ilha de Santa Catarina. 

Em 1772 seria erguida mais uma armação. Esta ocupava a costa leste da Ilha e já era fruto da segunda fase da exploração baleeira no Sul do Brasil, cujo grupo de concessionários tinha à frente o lisboeta Inácio Pedro Quintela. A “dinastia” Quintela estendeu-se de 1765 a 1801. 

Nessa época, cada vez mais ameaçada em seus domínios ultramarinos pelos vizinhos europeus, Portugal cria políticas de colonização. É por conta dessa iniciativa que, conforme os historiadores Oswaldo Cabral e Wálter Piazza, entre 1748 e 1756 chegam ao Sul do Brasil de cinco a seis mil imigrantes do Arquipélago dos Açores e da Madeira. Para se ter uma ideia do que esse número representou, deve-se observar que a Ilha de Santa Catarina contava, no início dos anos setecentos, com uma população composta por “147 brancos, alguns negros libertos, alguns escravos e uns poucos indígenas.” 

Povoamento X Colonização 

Existem registros de imigrações açorianas anteriores a essa. Desde o século XVII, viajantes do arquipélago dos Açores aportavam no Sul do Brasil. É verdade que em número muito menor. E vinham sozinhos, deixando a família para trás, porque não respondiam a um plano oficial para a ocupação do território.

Já no século XVIII o grupo de imigrantes, além de grande, era composto por casais. Estes, sim, chegavam para formar família e desempenhar o papel de colonizadores, dentro do que pretendia a Coroa portuguesa.

Inicialmente concentrados na Ilha de Santa Catarina e no continente fronteiro, os novos habitantes do litoral catarinense se espalhariam para outros pontos a partir de 1777, quando os espanhóis invadiram e tomaram a Vila de Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis). Em busca de refúgio, os açorianos se fixaram em pontos geográficos diferentes daqueles inicialmente previstos pela política de colonização lusitana. 

A região da Enseada do Itapocoroy estava entre esses pontos que, de acordo com o historiador José Boiteux, não foram colonizados a partir de um planejamento e sim povoados de maneira aleatória pelos açorianos. Ali, eles iriam erguer uma estrutura baleeira que ficaria conhecida como Armação do Itapocoroy. Estava lançada a semente dos povoados de Penha e Piçarras. 

Até a próxima!

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