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Dando sequência à história do centenário Ataíde Teixeira, vamos encontrá-lo ainda meninote e morando no interior da Ilha de Santa Catarina, no lugar chamado Cachoeira do Bom Jesus. A memória prodigiosa do nosso protagonista vai desenhando o cenário da época...

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Era uma Sexta-Feira Santa aquele 29 de março. Atrás da casa, o mar se estendia pontilhado de canoas e redes. Sei, de ouvir contar, que a parteira lhe botou nas mãos um pequeno peixe recém-pescado, depois o devolveu ao mar e o peixinho saiu nadando. Isso significava que o bebê nascido em dia tão santificado teria poderes curativos. O apelido veio daí – Santinho.

Muito perto de completar 100 anos, Ataíde Teixeira compartilha a partir desta semana um percurso que vai do lampião ao LED, da pena à internet, do bonde puxado a burro ao motor turbo. Ataíde – ou tio Santinho – para quem a palavra “jardineira” um dia foi sinônimo de transporte público, é uma testemunha da história do século XX. Acompanhe.

Na edição passada, acompanhamos Antônio Luiz Silvestre em São Paulo, onde conheceu Tonico e Tinoco e recebeu deles um valioso presente. Veja o que se passou depois. "Peguei a viola que eu ganhei deles e trouxe. Cheguei em Blumenau e aí o meu irmão, José Luiz, o Zeca, queria também. Eu comprei uma na Casa Flesch em Blumenau. Comprei a prestação e nós começamos a cantar. Cantei na PRC 4 com meu irmão. Um apresentador de um programa sertanejo foi quem convidou: chamava-se Tangará, ele cantava com duas filhas. Depois nós ficamos cantando na Rádio [a PRC4, de 1932, é considerada a emissora mais antiga de Santa Catarina]. Blumenau naquela época não tinha nada, só a Alameda Rio Branco, um pedacinho com asfalto; tinha o Cine Busch; o Guilherme Busch [Jr.] era o prefeito".

Chegamos à terceira parte da história de Antônio Luiz Silvestre. Conta ele:" Eu conheci Tonico e Tinoco no “Carlos Gomes” em Blumenau, quando eles fizeram um show. Cantaram de graça. Cantavam só em circo naquela época, mas vieram no Carlos Gomes. Fiquei emocionado. Eu sabia tocar um pouquinho a viola, o violão, e fui falar com eles. Disse pro Tonico: de vocês dois, quem faz a primeira voz? O Tinoco disse: - Sou eu. – Então, Tonico, vamos cantar uma moda tua, nós dois, me dá a tua viola. “Rio Pequeno”, canta comigo? Eu faço a primeira voz pra ti. Aí fizemos, Tinoco tocou na viola (porque o Tonico tocava violão): “Eu arriei meu cavalo quando tava escureceno Pra roubar uma moreninha da banda do Rio Pequeno Eu cheguei na casa dela meia noite mais ou meno Ela já tava esperando nas hora que nóis marquemo O seu cabelo briava, moihadinho de sereno ...”

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