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Recordando
Um pouco da minha trajetória em busca do conhecimento sobre o passado

Março tradicionalmente é um mês de retorno às aulas. Mesmo em meio à pandemia, as redes de ensino retomam agora o calendário letivo, seja no modo presencial ou a distância, em geral adotando um modelo híbrido que mescla as duas modalidades.

A propósito desse retorno, relembro a coroação de minha trajetória como estudante transcorrida um ano e meio atrás. Refiro-me à minha formatura no Ensino Superior.

Era uma bela noite de primavera aquela em que reuni parentes e amigos para comemorar com muita alegria a conclusão do meu Curso de Licenciatura em História.

Antes eu não gostava de História; quem me incentivou a estudar esta disciplina foi o meu amigo Alan, o professor da matéria na Escola Tradição em Florianópolis onde cursei o Ensino Médio. Ele é um ferrarista igual a mim.

Professor Alan Ghedini, um ferrarista como eu, foi meu incentivador (Foto: Arquivo Pessoal)

No Ensino Superior, foram três anos e meio de estudos difíceis em comparação ao Ensino Médio. Foram alguns sábados acordando às 6h30min da manhã para seguir até a faculdade em Palhoça e acompanhar as aulas às vezes até às 11h, outras até 11h30min ou mesmo até ao meio dia.

Eu era o único autista da turma, mas fui bem acolhido pela professora Eloísa, pela tutora Maria Pedrotti e pelos colegas de sala. Entrei na faculdade (Fadesc) em 2016 e colei grau em 21 de setembro de 2019.

Nesse tempo tão enriquecedor em termos de conhecimento constatei que a História é uma ciência em construção. E me apaixonei por História ainda mais depois que tive a oportunidade de viajar para a Europa.

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Arco do Carrossel – Paris,  construído em 1806 por ordem de Napoleão; e o Museo Ferrari, na Itália (Fotos: Arquivo Pessoal)

 Pude visitar berços da civilização ocidental, como Roma, ocasião em que entrei em contato com os vestígios de antigas culturas vendo in loco o que havia antes lido nos livros.

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Na Europa, pude constatar "in loco"  vestígios de antigas civilizações (Foto: Arquivo Pessoal)

Se você está entre os que não gostam de História, dê uma chance a esta disciplina: ela vai revelar aspectos interessantes do passado, ajudá-lo a entender o presente e, quem sabe, incentivá-lo a contribuir para projetar um futuro melhor para todos.

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 *Matheus da Silveira Marques, autista, licenciado em História, é colaborador especial do Expresso das Praias.
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