OPINIÃO
As no processo eleitoral têm consequências diretas no cotidiano da vida em sociedade

Infelizmente, a sociedade brasileira não percebe que vive em um contexto que é diretamente resultado de suas escolhas, as quais, têm consequências devastadoras, muitas vezes, derrubando conquistas humanas que são resultado de muitos sacrifício e luta.

A escolha de algumas pessoas num processo eleitoral tem consequências diretas no cotidiano da vida em sociedade. Isso pode ser demonstrado com uma escolha feita pelos cidadãos catarinenses na eleição de 2018, e que tem relação direta com alguns desdobramentos trágicos.

Ao perceber uma bela jovem, que aparece em fotos com taco de beisebol, com a inscrição “DIREITOS HUMANOS”, fazendo referência à uma sistemática agressiva nas relações sociais, esta jovem conseguiu um mandato para o legislativo do estado de Santa Catarina. 

Atitude como a desta jovem senhorita, e que fizeram com que ela viesse a receber uma quantidade de votos, a ponto de elegê-la, demonstram um elemento bastante presente na mentalidade coletiva. Este elemento, onde o direito do outro é menos importante do que o seu próprio direito.

Isto demonstra perfeitamente a percepção de “o meu e direito, o seu, regalia”, fazendo com que em uma sociedade democrática, que tem a intenção de ter um Estado de Bem-Estar e de Direitos, fique bastante fragilizada, fazendo com que ocorram, em muitos casos, situações de violência das quais, os próprios incentivadores, podem acabar sendo vítimas em algum momento.

A referida representante eleita, não sofreu nenhum tipo de violência, e se espera que, pelo bem de uma visão democrática, que não venha a sofrer. Mas, deveria ela pensar, que enquanto mulher, deveria pensar um pouco antes de defender posicionamentos violentos, visto que geralmente são as mulheres, suas semelhantes as maiores vítimas de violência.

Desta forma, não se torna difícil de compreender que, o debate publicado pelo Expresso das Praias, em 31 de março de 2021, faz referência ao elevado número de ações de violência contra a mulher, demonstrando que nas cidades de Penha e Balneário Piçarras, os atos de agressão contra o gênero feminino aumentaram 50 por cento.

Este contexto violento, tão corajosamente exposto pelo referido jornal, demonstra um fantasma que subjaz na sociedade brasileira, visto que o contexto referido às duas lindas cidades do litoral catarinense, não são uma situação isolada, muito pelo contrário, representam uma realidade concreta em diversas regiões do estado de Santa Catarina e do Brasil.

Esta triste realidade, demonstra um direcionamento lamentável que uma grande parcela da população brasileira resolveu adotar. A postura da reação violenta, estimulada por governantes que, só conseguem alguma visibilidade através de uma cultura de ódio, demonstrando claramente sua incapacidade de diálogo.

O que é mais curioso, é que estes mesmos “representantes patrióticos”, que tão abertamente estimulam a violência, adoram fazer declarações de adulação à outros países, considerado mais civilizados. Mas, afinal, porque estes países poderiam ser mais civilizados? 

Talvez, uma luz para ajudar a responder esta questão, esteja no investimento e na preocupação na educação, como forma de garantir a igualdade entre as pessoas, na violência como método de reafirmar a diferença. Na postura adequada dos representantes, que se concentram em resolver os problemas da nação, visualizando um objetivo de união, não uma posição segregacionista. 

Mas é da mais elevada importância que o cidadão brasileiro, ao perceber o senário caótico em que o país se encontra, é também de sua responsabilidade, afinal, estes representantes, que afirmam que a melhor forma de garantir a igualdade é a violência (afinal, após a morte, no cemitério, todos são iguais).

Assim, pode-se concluir que o acima citado investimento, realizado de maneira séria, na educação, é um grande meio para saída, mas escola é um centro de conhecimento formal, não de milagres. 

A educação e o respeito, para diminuir a violência contra a mulher, vem do exemplo dos pais e o respeito que estes demonstram entre si. Por isso, parece seguro afirmar que, uma sociedade nos padrões que muitos brasileiros tanto gostam de citar de outras nações, começa a partir de casa, onde desde jovem os futuros cidadãos, buscam suas primeiras referências. Referências estas, que vão determinar sua personalidade e ações para o resto da vida.

Prof. Dr. Jairo Demm Junkes - Doutor em Filosofia; professor da Rede Pública Estadual de Santa Catarina e do Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
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