PANDEMIA
Uso irrefletido da liberdade de expressão causa instabilidade política, social e caos na saúde pública

Há cerca de uma ano, desde o início de 2020, o ser humano se confronta com esta desesperadora situação de pandemia, que ocorre de maneira nunca antes vista. Houveram pandemias em outros momentos da história, mas nunca com um acesso tão grande à informação, permitindo que se tenha uma noção real dos perigos que se está enfrentando.

Nesse horizonte, se percebe um elemento tão danoso (muito provavelmente até mais danoso) quanto a própria pandemia. A disseminação de notícias falsas, sem nenhuma base real, arquitetadas exclusivamente para confundir as pessoas e gerar desinformação, se contrapondo a informações oficiais, que são repassados pelos meios de comunicação.

Este é novo vírus que ganhou o nome chique de FAKE NEWS (forma floreada de nomear mentira). Este mal hábito de compartilhar sem a devida certeza, muito comum em grupos de WhatsAPP, causa uma série de problemas que teriam dimensões bem menores se as pessoas o utilizassem um outro aplicativo, o bom senso.

Este uso irrefletido da liberdade de expressão causa instabilidade política, sociaL, e, agora, caos na saúde pública.

Ao invés de um alívio pelo fato de se conseguir a formulação de medicamentos em um espaço de tempo nunca antes registrado na indústria farmacêutica, surgem mensagens (sempre através das redes sociais) contendo uma série de informações de todos os tipos, contrariando o resultado comprovado de instituições durante DÉCADAS, produzem medicamentos, que SALVAM VIDAS.

É assustador que, neste contexto FAKE, as pessoas acreditem que todas as dinâmicas sociais podem voltar a ocorrer normalmente, sem as devidas precauções. Inclusive o retorno a atividade escolar, mesmo diante de um cenário com um número cada vez mais preocupante de pessoas perdendo a vida (não raramente por não terem se cuidado e acreditado em tudo que visualizam em curtem nas redes).

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Assim, passa a aumentar a pressão para o retorno das aulas de forma presencial em todas escolas. Este retorno, que é “planejando(?)” pelos entes governamentais, ocorre pautado em critérios “técnicos(?)” pensando no máximo de segurança para todos os envolvidos. Será? Não seria um critério técnico, vacinar as pessoas que estão nesta linha de frente, assim como os profissionais da saúde também estão sendo?

Vale lembrar que os profissionais da saúde, em muitas regiões ainda estão sendo vacinados, tendo que contabilizar mortes de pessoas que salvam vidas (e que talvez estivessem vivas se as pessoas tomassem as devidas medidas de proteção, se não por si, por aqueles que ama). Será que serão necessárias mortes de muitos professores e alunos (talvez os seus, os nossos filhos), para que se tomem medidas mais efetivas?

No dia 19 de fevereiro de 2021, foi anunciado o resultado de uma reunião entre a entidade que representa as Prefeituras e o Ministério da Saúde. Onde os ilustres representantes da população, chegaram ao consenso de tornar possível a compra de vacinas por parte das prefeituras, e finalmente, a inclusão dos professores no grupo à ser vacinado com prioridade.

Essa inclusão, acontece após cobranças dos professores e sindicados aos representantes do povo. Uma pena que estas pressões só tenham ocorrido após o formal retorno às atividades presenciais nas escolas (o que infelizmente fará com que, muito provavelmente, se contabilizem algumas MORTES QUE PODERIAM SER EVITADAS), sem haver uma real certeza da aquisição da quantidade necessária de vacinas.

Aqui, cabe uma reflexão bastante simples:

E se a POPULAÇÃO, UTILIZASSE O PODER DAS REDES SOCIAIS PARA COBRAR AÇÕES COMPETENTES DOS SEUS REPRESENTANTES no lugar de propagar informações sem comprovação que recebe (não importa se vindo de amigos, da mãe, do pai ou do sacerdote de sua crença)? Desta forma, por certo, não só se teria um combate mais eficiente à situações como a Pandemia da Covid 19, mas também se construiria uma sociedade melhor.


*Jairo Demm Junkes - Doutor em Filosofia, Membro do grupo Educação em Debate, Professor da Rede Pública estadual de Santa Catarina ( Escola Manoel Henrique de Assis  - Penha), e  do Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

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