OPINIÃO
Autoridades de saúde e educação têm seus pareceres ignorados para adequar contexto a interesses financeiros e partidários

Neste começo de ano de 2021, há uma grande expectativa sobre o retorno a algum contexto de situação que seja parecida com aquela que era conhecida por todos como normal. Uma destas representações é o ambiente educacional e, a respeito dele, muitas discussões.

Infelizmente se percebe no contexto da situação que há uma grande quantidade de interesses que levam em conta apenas suas próprias pretensões. Nesta situação é curioso que as autoridades em saúde, bem como as escolares, têm seus pareceres ignorados, tendo que adequar todo contexto a interesses financeiros e partidários.

Assim, quando se ouvem os grandes informes publicitários dos governos, sejam eles municipais, estaduais ou federais (e que custam altos valores aos cofres públicos), se imagina que o retorno às escolas acontecerá de maneira segura, pois os governantes providenciaram todas as formas de segurança necessárias.

Infelizmente, basta o olhar crítico do cidadão que foi até uma escola pública, para ver que não é bem assim que as coisas acontecem na realidade. O envio de poucos materiais de proteção (ou até nenhum), a não contratação de pessoas para auxiliarem no cumprimento das normas como o distanciamento, a falta de ambientes adequados para que possam permanecer aqueles que apresentarem algum sintoma.

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No complicado cenário, se faz perceber algo que sempre foi presente nas escolas, a dedicação daqueles que fazem com que a atividade escolar aconteça, os professores e funcionários, que manipulando um universo extremamente limitado de possibilidades, buscam construir um fazer educacional qualificado e efetivo.

Neste momento, é possível que muitas dúvidas e inseguranças surjam na mente. Estas dúvidas devem, obrigatoriamente, se fazer presentes dos familiares sensatos, que estarão mandando seus amados filhos para a escola, em uma condição em que parece que a incerteza é a única coisa que se tem como certa.

Assim, surge a pergunta:

Afinal, professor, é seguro voltar à Escola?” Para esta pergunta, evidentemente, a resposta não é tão simples quanto se pode imaginar observando dados estatísticos ou mapas coloridos, pois cada região, cada bairro, cada escola tem situações muito particulares, e que precisam ser levadas em consideração.

Mas, se a intenção é responder a pergunta de maneira afirmativa, há que se ressaltar um elemento indispensável. Se existe a possibilidade de um retorno mais próximo daquilo que se conhece como seguro, isso, infelizmente, não ocorre por conta da maioria das representações políticas (independentemente de partidos).

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Se há algum acesso para uma resposta afirmativa sobre a volta das aulas em um sistema próximo do presencial, isso ocorre por conta da ação daqueles que sempre buscaram dar à educação a maior qualidade possível, os indivíduos que constituem a escola, através de sua gestão, dos professores, funcionários e, evidentemente dos estudantes e suas famílias.

Desta forma, se pode concluir que um retorno seguro à atividade escolar se deve aos esforços realizados pelos professores e equipe escolar, mesmo que, como de costume, sem o cumprimento das promessas dos governantes.

Assim, a resposta à pergunta é: o retorno acontecerá dentro das frágeis condições de segurança, que só não são mais precárias por conta do comprometimento de professores e equipes de gestão escolar, perante o já costumeiro dos representantes políticos.


* Prof. Dr. Jairo Demm Junkes - Doutor em Filosofia, professor da rede pública estadual de Santa Catarina ( Escola Manoel Henrique de Assis  - Penha), e  do Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

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