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Depois de sair na frente, como o primeiro estado do país a adotar medidas de distanciamento e isolamento social para evitar um colapso do sistema de saúde, o Governo do Estado passou a afrouxar gradativamente as ações de combate à pandemia enquanto os casos de Covid-19 ainda aumentam.

A abertura da maior parte do comércio e serviços considerados “não essenciais”, inclusive academias e templos, é uma afronta ao bom senso e um atentado à saúde pública.

Trata-se não apenas de um contrassenso àquilo que vinha sendo realizado, mas também uma irresponsabilidade que pode custar muito mais vidas do que se projeta atualmente. Com muitas subnotificações, os números oficiais ainda não estão perto da realidade, porque só a partir desta semana é que os chamados testes rápidos estarão mais acessíveis na rede básica de saúde.

Sem dados precisos sobre o tamanho da pandemia e antes de colocar em operação toda a estrutura necessária para que se pense em uma abertura gradual do isolamento, Moisés se mostra mais uma vez refém de uma parcela expressiva da população que aderiu cegamente a um discurso que nega os fatos e rejeita a ciência. Da mesma forma como agiu com relação à taxação de agrotóxicos.

Se mostrar aberto ao debate, ouvir a população e os cientistas, buscar conciliação no lugar de confronto, não são posturas que grande parte do eleitorado espera. E toda essa pressão tem se convertido no afrouxamento das políticas que o governo pretendia adotar. Assim como na esfera federal, os cálculos eleitorais, lamentavelmente, estão na frente da soma de mortes e de prejuízos causados pela maior crise de saúde pública mundial de que se tem notícia.

Essa conta já está chegando e deve ser paga por todos, inclusive por aqueles que negam a realidade e pelos prefeitos e outras lideranças locais que aceitaram essas medidas sem impor mais restrições porque também estão focados em cálculos eleitorais.

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