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Mudar o censo comum é a principal tarefa

O novo calendário que se inicia em janeiro nos leva a imaginar sempre um período de oportunidades, de mudança e realização. Mas a realidade que se apresenta nos dias seguintes às comemorações do ano novo nos impõe velhos desafios e metas a serem alcançadas - quase sempre com velhas estratégias travestidas de novidade. Nas cidades do litoral, onde há tempos se espera por um desenvolvimento impulsionado pela superocupação do solo, o preço dessas políticas que só visam o favorecimento dos especuladores já nos é cobrado no presente.

Ruas engarrafadas, sem calçadas; quedas constantes de energia e praias contaminadas por esgoto são apenas alguns dos exemplos mais flagrantes desse “planejamento”. Mas a crise hídrica que tem deixado bairros inteiros sem água é a principal questão a ser respondida pelos gestores e concessionárias do serviço de saneamento em Piçarras e Penha.

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A Prefeitura de Penha finalmente cogita romper o contrato com a Águas de Penha por descumprimento das metas de investimento que foram estabelecidas, como construção de reservatórios e implantação de um sistema próprio de captação. O Governo de Piçarras determinou um "estudo" na bacia hidrográfica por conta do baixo nível do Rio Piçarras. Mas, até o momento, só constatou o óbvio ao divulgar que existem barragens "bloqueado" o curso de diversos afluentes que formam o rio.

Já se sabe há muito tempo que o interior de Piçarras e da região toda está repleto de lavouras que desviaram nascentes e outros afluentes, além de despejar agrotóxico na água que depois é captada pela Casan. O que interessa saber e ainda não foi divulgado é o que o poder público tem feito para inibir e punir os responsáveis por esses crimes ambientais. Assim como ainda se espera pela punição dos responsáveis pelo descarte de material que elevou o nível de ferro do nosso manancial para 33 vezes acima da taxa recomendada.

Ao se analisar a situação atual é importante lembrar ainda que, em Balneário Piçarras, a gestão do saneamento básico é associada entre Casan e Prefeitura. Portanto, cabe também ao governo municipal, e não apenas à concessionária do serviço, projetar e executar melhorias no sistema. E também cabe à população questionar: onde está o reservatório de água com capacidade para 2 milhões de litros que estava assegurado desde 21012 para o bairro Itacolomi pela Prefeitura? Onde estão os investimentos para ampliar a capacidade da Estação de Tratamento de Água que atende Penha e Piçarras?

Assim também os consumidores de Penha se perguntam quando virão os investimentos para tornar o município independente da água tratada em Balneário Piçarras e quando serão construídos mais reservatórios para atender a demanda da cidade. Essas ações são para ontem, mas muito pouco se realizou desde que o então prefeito Evandro dos Navegantes decidiu romper com a Casan para municipalizar e depois privatizar o sistema.

Essas perguntas continuam sem respostas porque no lugar de soluções, o que se tem buscado é aumentar ainda mais a demanda que já sobrecarrega os serviços básicos atuais. A revisão dos planos diretores em Piçarras e Barra Velha, por exemplo, foca apenas em aumentar a densidade populacional de áreas em que a infraestrutura já é deficiente. Na ditadura do senso comum (carregado de “opiniões” baseadas em ignorância e preconceito) verticalização é sinônimo de desenvolvimento. E os governantes agem para atender ao senso comum.

Quantos dos revoltosos com a falta d'água participaram das audiências públicas para discutir o Plano Diretor ou o Plano de Saneamento dos municípios? Quantos acompanham o cumprimento dos contratos das concessionárias de serviço público? Quantos sabem o que se discute e vota nas Câmaras de Vereadores? A maior parte dos que só protestam na rede social acredita que política se resume a eleger (ou tirar) representantes do poder. Para estes, ter opinião é mais importante que informar-se.

Uma parcela muito pequena da sociedade está disposta a cobrar, exigir respostas e buscar a Justiça. É desses cidadãos de que depende a tão falada "nova política", representada por todos que se colocam como co-responsáveis pelo presente e pelo futuro. Mas a maioria prefere acreditar que “salvadores da pátria”, com discursos prontos e frases de efeito, resolverão seus problemas. Vai demorar. 

É preciso estar disposto a enxergar os problemas com outros olhos e a mudar de opinião sempre que refutado por fatos. Porque a busca por verdades que convêm só nos levará ao caos. Em todas as esferas e em qualquer situação.

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Leandro Cardozo de Souza
Author: Leandro Cardozo de SouzaEmail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
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