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Enquanto deveria estar discutindo projetos para o país, parte da população prefere anestesiar-se pedindo um regime de exceção

Nas semanas que antecederam a edição número 208 do Expresso das Praias, nossa cobertura na internet sobre as manifestações do setor de cargas repercutiu os efeitos da greve dos caminhoneiros para as cidades da região. Mas, o que se pôde perceber, logo no começo, é que nem só os trabalhadores da estrada tinham interesses a defender. Em Santa Catarina, por exemplo, a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado (Fetrancesc) foi uma das primeiras entidades a apoiar a greve que, em tese, traria prejuízos para o setor patronal.

Desde então, a organização de um locaute, quando os trabalhadores são impedidos pelos patrões de exercer suas atividades, foi negada. Mas, na região, o empresário Emílio Dalçóquio é um dos investigados em inquérito federal que apura indícios desta prática ilegal em todo o país.

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O que sabemos é que todo o setor se beneficiou com os subsídios ao óleo diesel e que, logo depois, a Fetrancesc garantiu - em nota oficial- que nenhuma manifestação estava sendo convocada para o dia 3. Como assim? A manifestação não era dos caminhoneiros? Em nome de quem fala a entidade? E quem fala pelos que terão suas vidas diretamente prejudicadas pelos cortes no Orçamento da União para atender às demandas do setor de cargas?

Quando a nota da Fetrancesc foi divulgada, o movimento já tinha perdido força. Além da falta de coesão, também contribuiu para isso a infiltração de grupos alheios à causa para pedir uma “intervenção” militar. Talvez esses grupos não saibam, mas usar de garantias constitucionais como o direito de livre manifestação para pedir o rompimento da ordem constitucional, além de incoerente, é crime previsto na Lei de Segurança Nacional - aprovada durante a última “intervenção” militar no Brasil, que durou 24 anos.

As falhas da democracia não podem ser resolvidas com o autoritarismo que traz consigo a falta de transparência, a censura, a tortura e a morte. Mas, enquanto deveria estar discutindo projetos para o país, parte da população prefere anestesiar-se pedindo um regime de exceção. Porque viver na democracia é mais difícil para quem não está disposto a compartilhar responsabilidades. Exercê-la é muito mais do que escolher representantes, é participar da construção das políticas públicas e da fiscalização do poder. Para vivê-la é preciso reconhecer erros no lugar de buscar bodes expiatórios ou heróis para resolvê-los sozinhos.

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Leandro Cardozo de Souza
Author: Leandro Cardozo de SouzaEmail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
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