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Beto Carrero

Seita religiosa que se envolveu em movimento político ganhou repercussão nacional

O lançamento do livro “Notícias dos Fanáticos de Barra Velha” (Editora Scortecci, São Paulo), do historiador José Carlos “Cacá” Fagundes, integrou, dia 8, o calendário de comemoração dos 56 anos do município. Na publicação de 76 páginas e tiragem inicial de 500 exemplares o autor busca reconstituir os fatos em torno de uma seita envolvida em conflitos locais que repercutiram nacionalmente e levaram à intervenção policial no distrito durante o ano de 1926.

Cacá lançou o livro dia 8 (Divulgação)

Para compor o livro que tem tiragem inicial de 500 exemplares, Cacá Fagundes entrevistou moradores antigos da região e reuniu ao longo de uma década publicações de jornais de várias regiões do Brasil em torno do pescador Manuel Francisco de Bárbara, o “Mané Bárbara”.  

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De acordo com a pesquisa, o líder religioso que benzia e ensinava “garrafadas” tinha mais de 400 seguidores que acreditavam em seu poder sobrenatural. 

- Embora pouco lembrado pelos barravelhenses, o evento teve grande repercussão em todo o país - observa o historiador. - Os principais jornais do Brasil chegaram a publicar artigos sobre o perigo que representava para a ordem pública a irrupção de fanatismo na nossa localidade - comenta.

Nesta época em que a região ainda pertencia ao antigo município de Parati, atual Araquari, os seguidores de Mané Bárbara também passaram a cultuar um garoto de 17 anos vindo do Rio do Peixe. Ele se chamava Amador de Moura e foi apresentado como a própria reencarnação de “Jesus Cristo”. Uma mulher, Antônia André Soares, vinda da Mantiqueira, era conhecida como  “Nossa Senhora”.

Tensão política

Em um contexto que lembra a Guerra de Canudos, ou um roteiro cinematográfico de Gláuber Rocha, o latifundiário José Maria Antunes Ramos, ex-deputado pelo Partido Conservador e presidente da recém-fundada Colônia de Pescadores de Barra Velha, tentou colocar em prática, de forma ostensiva a “lei da nacionalização da pesca”. 

A medida gerou revolta entre a população local e uma tentativa de assassinato contra ele, em outubro de 1926, levou o governador de Santa Catarina, Adolpho Konder, a determinar intervenção policial no distrito. 

Como forma de legitimar a medida e também a prisão de todos os membros da seita de “Mané Bárbara”, os jornais publicaram que o governo acusava o líder de ser o autor do crime. Mas essa acusação foi refutada quando os verdadeiros autores do atentado com dinamite foram presos.

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