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Agressão foi flagrada por câmera de videomonitoramento

Da Região- A Polícia Civil de Balneário Piçarras está à procura de Gilmar César de Lima (22), apontado como o principal suspeito de ter espancado até a morte o professor indígena Marcondes Nambla. O mandado de prisão preventiva foi expedido na noite de quinta-feira, dia 04, após depoimentos de testemunhas e análise das imagens de uma câmera de monitoramento que flagrou o momento em que o líder Xokleng era espancado na madrugada do dia 1º, na Av. Eugênio Krause, na Penha. As investigações para apurar a identidade do assassino foram iniciadas em seguida e os resultados levaram à decretação da prisão preventiva. 

Gilmar César de Lima é natural de Blumenau, mas estaria morando em Gaspar. Ele já era procurado pela Polícia Civil de Gaspar por uma tentativa de homicídio ocorrida no ano passado. Segundo os relatos, Gilmar teria ferido gravemente outro homem com golpes de faca após uma discussão. Na sua ficha criminal também constam passagens por agressão a uma ex-namorada, roubo, furto e posse de drogas.

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De acordo com o delegado da Polícia Civil de Piçarras, Douglas Teixeira Barroco, algumas testemunhas ouvidas no caso relataram que o suspeito falou a pessoas que passavam na rua que o indígena teria mexido com o seu cachorro. O delegado acredita que o crime tenha sido cometido por motivo fútil e sem discussão anterior. A equipe de investigação trabalha na procura de Gilmar e pede que qualquer informação seja repassada à Polícia Civil.

As primeiras testemunhas foram ouvidas pela polícia na tarde da quinta-feira, 04. O líder Xokleng foi encontrado com sinais de espancamento e mordidas de cachorro por volta das 5h da manhã do dia 1º, na Avenida Eugênio Krause.

A principal evidência para as investigações, além das testemunhas, foi mesmo a imagem de uma câmera de segurança localizada próxima ao local do crime. Na filmagem, é possível ver um homem com um cacetete na mão se aproximar da vítima e desferir-lhe diversos golpes na cabeça e no corpo. A imagem também mostra um cão de porte grande. Em seguida, o agressor se afasta e Nambla tenta se erguer do chão, mas o homem volta  e recomeça a desferir golpes contra a cabeça da vítima, já caída.

O professor Nambla foi socorrido e encaminhado ao Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (2).

Um líder educador

Marcondes Namblá era graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina e atuava como professor na escola indígena de José Boiteux, além de ser juiz na aldeia. De acordo com as informações repassadas pelos familiares à polícia, ele veio para Penha em busca de renda extra  e, com esse propósito, tinha começado a vender picolé na praia. Nambla deixa a esposa e cinco filhos. 

(Reprodução | Facebook)

Em texto publicado na página do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina, a jornalista Elaine Tavares lembra:

- Marcondes até pouco tempo circulava pelo Campus da UFSC onde se formou no curso de Licenciatura Indígena”. Ele vivia na aldeia e atuava como educador, trabalhando inclusive pela preservação da língua de seus antepassados. Os Xokleng (ou La Klanô Xogleng, segundo Elaine Tavares) são uma das três etnias indígenas que resistem em Santa Catarina. As outras duas são a Guarani e a Kaigang. Nambla, conclui Elaine, “precisou sair  para o mundo em busca de sobrevivência. Triste realidade para os indígenas, sempre divididos entre o que são  e o que o mundo que dominou a vida originária quer que sejam...”

Leia também: Polícia ouve testemunhas para o caso de homicídio de liderança indígena

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