Painel

Tentativa desastrada de prender quadrilha é alvo de investigações

Piçarras - A perseguição policial que resultou na morte de um morador e de dois homens apontados como suspeitos de tentar arrombar o Banco do Brasil, dia 16, também buscava por policiais militares envolvidos em assaltos a banco. A informação levantada pelo Expresso das Praias foi confirmada pela Polícia Civil, que abriu dois inquéritos relacionados à ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O Ministério Público Estadual também cobra informações da Polícia Militar.

O foco da primeira investigação aberta na delegacia local é identificar quem são e como agiriam os policiais militares suspeitos de passar informações privilegiadas para a quadrilha de caixeiros. A tentativa desastrada do Bope de prender essa quadrilha e identificar os PMs supostamente envolvidos é o foco do segundo inquérito.

Publicidade

A operação com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) resultou na morte de José Manoel Pereira, o Mozeca, de 44 anos, baleado ao supostamente ser confundido com suspeito em fuga.

- De fato a operação foi um fracasso e nós vamos investigar. Há balas que entraram e não saíram. Não encontramos muitas cápsulas. Quem participou da ação recolheu para evitar uma comparação balística - revela o delegado Wilson Masson.

Todas as testemunhas primárias envolvidas no caso já foram ouvidas. Masson ainda deve colher mais depoimentos, mas afirma que tanto a Delegacia de Polícia Civil quanto a Companhia de Polícia Militar local não foram informadas sobre a operação.

Horas depois de atirar contra Mozeca e outros três amigos, o Bope apresentou os corpos de Adriel Rodrigues Lopes e Osni Heberton Magalhães junto com ferramentas e dois revólveres calibre 38. 

Um dos homens apontados como membro da quadrilha está preso na Penitenciária da Canhanduba e um quarto integrante está foragido.

Mozeca foi sepultado no sábado (18), depois de permanecer internado sob sedação no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Marieta. Ele deixa esposa e a filha de 20 anos, grávida de oito meses. Durante o sepultamento, familiares e amigos exigiram justiça.

O Expresso das Praias tentou contato com o Major Vicente, comandante do Bope, mas não obteve retorno.

 Operação resultou na morte de José Manoel Pereira, o Mozeca, de 44 anos (Arquivo)

Ministério Público também exige informações

O Coordenador do GAECO, Alexandre Graziotin, informou através da Assessoria de Imprensa que não vai se pronunciar sobre a operação para não interferir nas investigações instauradas pelo Ministério Público do Estado.

O  promotor Wilson Paulo Mendonça Neto determinou no dia seguinte ao fato (17) a abertura de uma notícia de fato para que o BOPE informe os nomes dos policiais que participaram da ação, além de detalhar como a mesma aconteceu.

Mendonça também pediu para que o Instituto Geral de Perícia encaminhe com urgência o exame residuográfico feito nas mãos dos três homens mortos e dos feridos. A intenção é averiguar a presença de pólvora que indicará se houve ou não uma troca de tiros entre suspeitos e agentes.

O prazo para resposta do processo é de dez dias a partir do recebimento.

Leia também:
  • 1
X

Right Click

No right click