Painel

Em perseguição à quadrilha que tentou arrombar o Banco do Brasil, PM abriu fogo contra grupo de amigos

Piçarras - É grave o estado de saúde do açougueiro José Manoel Pereira, o Mozeca, de 44 anos, baleado pela polícia na madrugada desta quinta-feira (16). Ele vive com a ajuda de aparelhos e sob sedação no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Marieta, em Itajaí. Mozeca foi atingido na cabeça por disparos da Polícia Militar (PM) ao ser confundido com criminosos que tentaram arrombar a agência do Banco do Brasil durante a madrugada. Horas depois, dois suspeitos ainda não identificados foram mortos e outros dois conseguiram escapar. Até o momento a PM não se manifestou sobre a ação.

- O estado dele é gravíssimo. Um dos médicos afirmou que seria morte cerebral, mas depois nos informaram que ainda vão tirar os sedativos aos poucos para ver como ele reage - informa Emília Conceição Pereira, irmã de Mozeca.

Publicidade

Os policiais que ainda não foram identificados atiraram diversas vezes contra o carro em que estava o grupo de amigos. Um deles é o pintor, e sobrinho da vítima, Laudemir Medeiros, o Mica. Ele conta que por volta das 2h30min comprava cerveja com os amigos em uma loja de conveniência localizada a uma quadra do Banco do Brasil quando ouviu uma série de disparos:

- Pensei na hora: “estão assaltando o Banco do Brasil”. Corri para o carro e disse: “vamos sair daqui logo porque tá dando tiroteio” - lembra.

Ao cruzar a esquina e ver o grupo sair apressado, a guarnição  do Batalhão de Operações Especiais (Bope) abriu fogo. O pintor se feriu nas costas sem gravidade com um estilhaço, mas um dos disparos perfurou o crânio do tio dele, que foi levado em estado grave para o Pronto Atendimento de Piçarras e de lá para o Centro de Terapia Intensiva do Hospital Marieta.  Os amigos acreditam que se não tivessem fugido estariam todos mortos:

- Eles não queriam saber quem era. Só atiraram. Atiraram pra matar. A gente conseguiu escapar dos tiros e depois eles vieram aqui, me levaram preso e deixaram lá trancado na delegacia junto com os bandidos - afirma Laudemir, que só foi libertado na manhã desta quinta-feira.

Revolta

Depois que chegou a ser noticiada pela família a morte de Mozeca, amigos e vizinhos usaram as redes sociais para lamentar e exigir justiça. Caberá às polícias Militar e Civil e ao Ministério Público apurarem as responsabilidades criminais dos agentes envolvidos na ação.

- Nosso vizinho trabalhador. Guerreiro. Amigo. Grande coração. Foi confundido com bandidos... levou um tiro na cabeça e não resistiu... enquanto os bandidos fugiam. A polícia assassinou uma pessoa de bem, um exemplo de pessoa! Inacreditável! - protestou um amigo da vítima.

Ação terminou de manhã, com a morte de dois suspeitos na Rua Pedro Antônio Niebur (Divulgação)

Suspeitos mortos

Depois de ter confundido e atirado contra o grupo de amigos, os policiais supostamente trocaram tiros com os suspeitos, dois dos quais morreram e ainda não foram identificados pelo Instituto Geral de Perícias. Outros dois conseguiram fugir. Foram apresentadas ferramentas e dois revólveres, que estariam com eles.

De acordo com a gerência do Banco do Brasil, nenhum valor foi levado, mas a agência permaneceu fechada durante o dia para a realização de perícia criminal.

O Expresso das Praias entrou em contato com o comando do Bope e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Polícia Civil, mas não obteve respostas até a hora de publicação desta reportagem.

  • 1
X

Right Click

No right click