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O escritor Luiz Ferreira, o Chimboca, em seu livro “Quando o amor é eterno”, escreveu sobre Açaúna, a bela índia virgem. Eu mesmo já compus um samba com o enredo que conta o episódio do moço bonito que nesta praia naufragou. É a história da lenda das Ilhas Itacolomi. Mas, na verdade ninguém viu a Índia virgem. Já o tio Quirino jura de pés juntos que o tal náufrago era nada mais, nada menos que o seu tataravô. Também chamado de Quirino.


O nosso tio Quirino garante que o relato da história está em manuscritos que ele encontrou enterrados num pote de barro, embaixo do pé de jaboticaba. O próprio tataravô escreve que foi o único sobrevivente do naufrágio de um navio mercante. Eles costumavam viajar trazendo bugigangas para trocar por marisco com os índios da Armação, na Penha. E também negociavam por farinha com os índios da Itajuba, na Barra Velha. Sobreviveu por um milagre.


Acordou na areia da praia com uma morena cor de mel em cima dele, fazendo respiração boca a boca. Ele pensou que havia morrido e a própria Eva no Paraiso lhe acudia. Vieram então os guerreiros e o carregaram para a aldeia. O chefe olhou bem para o Quirinão e disse: - Coloca homem branco para ser reprodutor! Os olhos dele brilharam pensando na Virgem, mas não foi bem assim. Logo se formou uma fila enorme de ponta de estoque de índia. Tudo baranga.


Foi ali que ele descobriu que a tal depilação já existia desde o século passado. O que não existia era cortador de unha, desodorante e lencinho úmido. Elas disputavam a posição na frente. O tataravô do tio Quirino, na época, era um moço forte e viçoso. Porém, qualquer falha poderia ser fatal. Em seus manuscritos ele diz que o seu esforço valeu a pena e resultou numa nova nação indígena: os Quirinins, que habitaram a região das Cabras até o Itapocu.


Depois a indiada andava com ele nas costas, de braços erguidos, comemorando. Sabia nada o inocente. Parecia ter ganhado a eleição. Até que o colocaram num caldeirão bem grande, igual ao da “canjica”, com fogo leve. E o Quirinão todo faceiro pensando que era um banho de ofurô para relaxar. A índia virgem olhava de longe, cabisbaixa. Os guerreiros jogavam o tempero e atiçavam o fogo. Foi aí que ele descobriu que seria o prato do dia e a turma estava com fome.


Saltou da panela e saiu correndo de bunda de fora, rosado igual camarão cozido. A tribo perseguia com gritos de guerra na captura do almoço. Quirinão relata em seus manuscritos que se jogou ao mar e fugiu nadando. De longe, olhou para trás e os Carijós estavam todos na praia. Porém, não distante, para a sua surpresa, a índia virgem o seguia. Daí em diante foi só alegria, na Ilha Feia, na Praia Vermelha. Quirinins para todo lado... Tô dizendo!

Author: Gilberto CardozoEmail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
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