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Beto Carrero
Navio torpedeado durante a II Guerra, cena trágica e comum (Foto ilustrativa Google Images)

Acidente, naufrágio, tubarões,  a saga da Família Ziobro parece nunca ter fim

O leitor que acompanha a Preamar deve lembrar que, na edição anterior, nossa protagonista, Zófia Ziobro, acabara de chegar a um novo destino – o Irã -  depois de empreender uma travessia cheia de percalços desde a longínqua Sibéria, onde deixara para trás o campo de trabalho a que fora confinada junto com a mãe e os dois irmãos mais velhos quando a II Guerra Mundial dilacerou seu país natal: a Polônia.

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Embora fosse apenas uma garotinha, Zófia seguiu para o desconhecido sem a família. Mãe e irmãos permaneceriam ainda por algum tempo no acampamento ao Sul da Rússia. Assim, se o Irã representava uma chance de recomeçar, era também um lugar de incertezas e solidões, rostos e costumes estranhos. E a chegada não foi nada animadora. Acompanhe.

- Nos entregaram lá na Pérsia, no porto, e a primeira noite nós dormimos na praia, na areia, ao relento. Depois nos levaram até Teerã [a capital do país]. Nos colocaram num acampamento, num prédio grande, fomos em caminhões. Me lembro que os persas receberam os refugiados com muito carinho: jogavam balas sobre os caminhões, jogavam flores ...  Mas era triste porque depois de um tempo, quando aquelas moças alegres que eu admirava tanto começaram a atacar os maridos lá, eles ficaram ... não digo hostis, mas .... 

O pensamento triste é logo interrompido por uma lembrança feliz que dissipa a angústia. Dona Zófia então continua a narrativa em tom animado:

- Uma coisa de que me lembro quando aqui fazem colheita de roupas, de coisas para distribuir, é que nós também recebíamos doações, eu lembro que ganhei uma roupa de que eu gostava muito: era um vestido vermelho, preto e branco, tudo misturado, não era rodado, acho que tinha manga curta, porque fazia muito calor. Eu gostava muito desse vestido. 

No instante seguinte, ficamos sabendo que Jan, o irmão mais velho de Zófia, também acabou se refugiando no Irã. Mas a trajetória dele logo iria mudar:

- Em Teerã, o meu irmão Jan, que desde criança sonhava com aviões - ele comprava, fazia, montava e soltava os aviões - lá ele resolveu entrar na Aeronáutica, só que na viagem ele teve um acidente de caminhão e rachou a base do crânio, ficou no hospital uma porção de tempo, não reconhecia ninguém, mas melhorou e foi mandado para a Inglaterra. Na viagem para a Inglaterra, o navio foi afundado por um submarino japonês que veio da costa do Brasil. Ele disse que tinham colete salva-vidas, ele nadava bem, então tirou o colete porque tinham muitos tubarões e quando os colegas pulavam com aquela roupa no mar e ficavam mexendo os pés, os tubarões atacavam. Ele ficou estendido em cima do mar, boiou, ficou de noite, de dia, até que um navio tirou ele de lá, meio queimado, meio tostado. E como estava muito ruim, o levaram para a África do Sul, para o hospital. ruim, o levaram para a África do Sul, para o hospital. Lá ele se restabeleceu um pouco e o mandaram para a Inglaterra.

Continua na próxima semana.  Até lá!

 

Jane Cardozo da Silveira
Author: Jane Cardozo da SilveiraWebsite: http://lattes.cnpq.br/6693654081890010Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Jornalista com especialização em Jornalismo e mestrado em Turismo, professora no Curso de Jornalismo da Univali. Autora de "Em busca da identidade perdida - subsídios para uma política integrada de comunicação em turismo cultural nos municípios de Penha e Piçarras"
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