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Beto Carrero

Em nome de quem age a polícia cujo símbolo é a própria morte?

A notícia de que dois homens foram mortos e outros dois se feriram em Piçarras na madrugada de quinta-feira, durante ação aparentemente planejada e articulada entre as polícias Civil e Militar, levou muita gente a aplaudir a operação. Um comportamento que não surpreende, já que aceitar uma polícia que age para eliminar suspeitos é senso comum na sociedade brasileira.

A abordagem do caso pela maior parte da imprensa também reflete um pouco desse pensamento. A tentativa frustrada de arrombamento ao Banco do Brasil ganhou mais destaque do que a execução dos suspeitos e a aparente tentativa de homicídio por parte do Estado de quatro amigos que foram “confundidos” com bandidos.  

Depois que o Expresso das Praias noticiou o engano, parte dos defensores do princípio de que “bandido bom é bandido morto” se apressou para apagar os comentários que exaltavam a ação. Mas, ainda assim, o que se vê é um discurso que responsabiliza as vítimas, e não o Estado, pela tragédia. O que as vítimas faziam na rua de madrugada e por que correram ao ouvir o tiroteio não são as questões mais relevantes.

O que precisa ser esclarecido é: quais são para o Bope os critérios para definir quem é bandido e quem não é? Quem eram os “suspeitos” mortos e a que grupo estavam ligados? Quem eram os policiais envolvidos na operação? Que tipo de bandido assalta um banco com dois revólveres calibre 38? Por que um cidadão passou a noite preso sem acusações formais contra ele? Por que a polícia abriu fogo contra um grupo desarmado? 

A falta de explicações por parte do Estado para estas questões ilustra o desprezo das instituições de segurança pelos cidadãos que considera de “segunda categoria”.  E quem alimenta essa política que criminaliza a pobreza é a própria sociedade. Por isso, antes de lamentar, é bom lembrar: tem sangue do Mozeca nas mãos de cada um que exige que a polícia atue como grupo de extermínio. 

Leia também: Trabalhador baleado ao ser confundido pela polícia está entre a vida e a morte

 

Author: Leandro Cardozo de SouzaEmail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
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